Reflexão: Fidel Castro - 13Jan2010 22:38:06
O mundo meio século depois
• AO se comemorar, há dois dias, o 51º aniversário do triunfo da Revolução, vieram a minha mente as lembranças daquele 1º de janeiro de 1959. Nenhum de nós nunca fez a peregrina ideia de que, depois de meio século, que passou voando, estaríamos lembrando-o como se fosse ontem.
Na reunião na usina açucareira "Oriente", em 28 de dezembro de 1958, com o comandante-em-chefe das forças inimigas, cujas unidades elites foram cercadas e ficaram sem nenhuma saída, ele reconheceu a sua derrota e fez um apelo a nossa generosidade para encontrar uma saída decorosa para o resto de suas forças. Sabia do nosso tratamento humano aos prisioneiros e feridos sem exceção alguma. Aceitou o acordo que lhe propus, embora o advertisse que as operações em andamento continuariam. Mas viajou para a capital e, instigado pela embaixada dos Estados Unidos, promoveu um golpe de Estado.
Nós preparávamo-nos para os combates desse dia, 1º de janeiro, quando na madrugada chegou a notícia sobre a fuga do tirano. O Exército Rebelde recebeu ordens de não admitir o cessar-fogo e continuar os combates em todos os fronts. Através da Rádio Rebelde, foram convocados os trabalhadores para uma Greve Geral Revolucionária, apoiada imediatamente por toda a nação. A tentativa golpista foi derrotada e nesse mesmo dia, à tarde, as nossas tropas vitoriosas entraram em Santiago de Cuba.
O Che e Camilo receberam instruções de avançarem rapidamente pela estrada, em veículos motorizados com suas aguerridas forças, para La Cabaña e para o Acampamento Militar de Columbia. O exército adversário, atingido em todos os fronts, não podia resistir. O povo revoltado ocupou os centros de repressão e as delegacias. No dia 2, à tarde, acompanhado de uma pequena escolta, reuni-me num estádio de Bayamo com mais de dois mil soldados dos tanques, da artilharia e da infantaria motorizada, aos quais havíamos combatido até o dia anterior. Ainda portavam o seu armamento. Tínhamos ganhado o respeito do adversário com nossos audazes, mas humanitários métodos de guerra irregular. Assim, em apenas quatro dias — depois de 25 meses de guerra, que reiniciamos com alguns fuzis — ao redor de cem mil armas de ar, mar e terra e todo o poder do Estado ficaram nas mãos da Revolução. Em apenas poucas linhas relato o acontecido naqueles dias, há 51 anos.
Começou, então, a batalha principal: preservar a independência de Cuba face ao império mais poderoso que tenha existido, e que nosso povo travou com grande dignidade. Hoje, satisfaz-me ver aqueles que, por cima de incríveis obstáculos, sacrifícios e riscos, souberam defender nossa Pátria, e nestes dias, junto aos seus filhos, pais e entes mais queridos, desfrutam da alegria e das glórias de cada ano novo.
No entanto, os dias de hoje parecem-se em nada com os de ontem. Vivemos uma época nova que não se parece com nenhuma outra da história. Antes, os povos lutavam e lutam ainda com honra em prol de um mundo melhor e mais justo, mais hoje têm que lutar, além disso, e sem nenhuma alternativa, pela própria sobrevivência da espécie. Não sabemos absolutamente nada se ignoramos isso. Sem dúvida, Cuba é politicamente um dos países mais instruídos do planeta; partiu do mais vergonhoso analfabetismo, e o que é ainda pior: nossos amos ianques e a burguesia associada aos donos estrangeiros eram os proprietários das terras, usinas açucareiras, fábricas produtoras de bens de consumo, armazéns, comércios, eletricidade, telefones, bancos, minas, seguros, cais, bares, hotéis, escritórios, moradias, cinemas, impressoras, revistas, jornais, rádio, da nascente televisão e de tudo aquilo que tivesse um valor considerável.
Os ianques, apagadas as ardentes chamas de nossas batalhas pela liberdade, atribuíram-se o direito de pensarem por um povo que tanto lutou por ser dono de sua independência, de suas riquezas e de seu destino. Nada, nem sequer o direito de termos ideias políticas, nos pertencia. Quantos sabíamos ler e escrever? Quantos tínhamos atingido pelo menos a sexta série? Lembro-me disso especialmente um dia como hoje, porque esse era o país que supostamente pertencia aos cubanos. Não menciono outras coisas, porque teria que incluir muitas mais, entre elas, as melhores escolas, os melhores hospitais, as melhores casas, os melhores médicos, os melhores advogados. Quantos tínhamos direito a isso? Quem tinha, salvo alguns, o direito natural e divino de ser administrador e chefe?
Nenhum milionário ou pessoa rica, sem exceção, deixava de ser chefe de Partido, senador, representante ou funcionário importante. Essa era a democracia representativa e pura que imperava em nossa Pátria, a não ser que os ianques impusessem, à vontade, tiranos desumanos e cruéis quando mais convinha aos seus interesses para defenderem melhor suas propriedades perante camponeses sem terra e operários com ou sem emprego. Como já ninguém fala sequer disso, atrevo-me a lembrá-lo. Nosso país faz parte de mais de 150 que constituem o Terceiro Mundo, que serão os primeiros, porém não os únicos, a sofrerem as incríveis conseqüências, se a humanidade não toma consciência de maneira clara, certa e muito mais rápida do que imaginamos, da realidade e das conseqüências da mudança climática provocada pelo homem, se não se consegue impedi-la a tempo.
Nossos meios de comunicação social dedicaram espaços a descrever os efeitos da mudança climática. Os furacões de crescente intensidade, as secas e outras calamidades naturais, contribuíram também para a educação de nosso povo a respeito do assunto. Um fato singular, a batalha contra o problema climático travada na Cúpula de Copenhague, contribuiu para o conhecimento do iminente perigo. Não se trata de um risco em longo prazo, para o século 22, mas para o 21, nem tampouco é para a segunda metade deste século, mas para as próximas décadas, durante as quais já começaríamos a sofrer as terríveis conseqüências.
Também não se trata de uma simples ação contra o império e seus aliados, que nisto como em tudo, tentam impor seus estúpidos e egoístas interesses, mas de uma batalha de opinião mundial que não se pode deixar à espontaneidade nem ao arbítrio da maioria dos seus meios de comunicação. É uma situação, felizmente, conhecida por milhões de pessoas honradas e corajosas no mundo, uma batalha a travar com as massas e no seio das organizações sociais e instituições científicas, culturais, humanitárias e outras de caráter internacional, muito especialmente no seio das Nações Unidas, onde o governo dos Estados Unidos, seus aliados da OTAN e os países mais ricos tentaram desferir, na Dinamarca, um golpe fraudulento e antidemocrático no resto dos países emergentes e pobres do Terceiro Mundo.
Em Copenhague, a delegação cubana, que assistiu junto a outras da ALBA e do Terceiro Mundo, viu-se obrigada a travar uma grande luta diante dos incríveis fatos que aconteceram com o discurso do presidente ianque, Barack Obama, e do grupo de Estados mais ricos do planeta, determinados a desfazerem os compromissos vinculantes de Kyoto — onde há mais de 12 anos foi discutido o espinhoso problema — e a fazerem cair o peso dos sacrifícios sobre os países emergentes e os subdesenvolvidos, que são os mais pobres e, ao mesmo tempo, os principais fornecedores de matérias-primas e de recursos não-renováveis do planeta aos mais desenvolvidos e opulentos.
Em Copenhague, Obama participou no último dia da Conferência, iniciada em 7 de dezembro. O pior de sua conduta foi que, quando já tinha decidido enviar 30 mil soldados para a chacina do Afeganistão — um país de forte tradição independentista, ao qual nem sequer os ingleses durante seus melhores e mais cruéis tempos puderam submeter — foi a Oslo para receber nada menos que o Prêmio Nobel da Paz. Ele chegou à capital norueguesa em 10 de dezembro, onde proferiu um discurso vazio, demagógico e justificativo. No dia 18, que era a data da última sessão da Cúpula, apareceu em Copenhague, onde pensava permanecer inicialmente apenas oito horas. No dia anterior, chegaram a secretária de Estado e um grupo seleto de seus melhores estrategistas.
A primeira coisa que Obama fez foi selecionar um grupo de convidados que teve a honra de acompanhá-lo para proferir um discurso na Cúpula. O primeiro-ministro dinamarquês, que presidia a Cúpula, complacente e bajulador, deu a palavra ao grupo que apenas ultrapassava 15 pessoas. O chefe imperial merecia honras especiais. O seu discurso foi uma mistura de palavras adoçantes temperadas com gestos teatrais, que já cansam quem, como eu, se propus a tarefa de escutá-lo para tentar ser objetivo na apreciação de suas características e intenções políticas. Obama impôs ao seu dócil anfitrião dinamarquês que apenas seus convidados poderiam discursar, embora ele, assim que proferiu seu discurso, "saiu do fórum" pela porta traseira, como duende que foge de um auditório que lhe fez a honra de escutá-lo com interesse.
Após terminar a lista autorizada de oradores, um indígena aimara da gema, Evo Morales, presidente da Bolívia, que acabava de ser reeleito com 65% dos votos, exigiu o seu direito de discursar, concedido perante o aplauso da maioria dos assistentes. Em apenas nove minutos, exprimiu profundos e dignos conceitos respondendo às palavras do ausente presidente dos Estados Unidos. A seguir, Hugo Chávez pôs-se em pé e pediu a palavra em nome da República Bolivariana da Venezuela; quem presidia a sessão não teve outra opção que dar-lhe também a palavra, que Chávez utilizou para improvisar um dos mais brilhantes discursos que tenha escutado. Ao concluir, uma martelada pôs fim à insólita sessão.
No entanto, o ocupadíssimo Obama e seu séquito não tinham um minuto a perder. Seu grupo tinha elaborado um projeto de Declaração, cheio de ambiguidades, que era a negação do Protocolo de Kyoto. Após sair precipitadamente do plenário, reuniu-se com outros grupos de convidados que não chegavam a 30, negociou em privado e em grupo; insistiu, mencionou cifras milionárias de notas verdes sem respaldo em ouro, que constantemente são desvalorizadas e até ameaçou de abandonar a reunião se não aceitavam suas demandas. O pior foi que se tratou de uma reunião de países muito ricos, para a qual convidaram diversas das mais importantes nações emergentes e duas o três nações pobres, às quais submeteu o documento, como quem propõe: Pega ou larga!
Essa declaração confusa, ambígua e contraditória — de cuja discussão não participou para nada a Organização das Nações Unidas —, o primeiro-ministro dinamarquês tentou apresentá-la como Acordo da Cúpula. Já a Cúpula tinha concluído o seu período de sessões, quase todos os chefes de Estado, de Governo e ministros das Relações Exteriores haviam voltado aos seus respectivos países, e às 3h da madrugada, o distinto primeiro-ministro dinamarquês o apresentou ao plenário, onde centenas de sofridos funcionários, que fazia três dias não dormiam, receberam o embaraçoso documento, que deviam analisar em apenas uma hora e decidir sua aprovação.
Ali, a reunião tornou-se quente. Os delegados não tiveram tempo nem sequer de lê-lo. Alguns pediram a palavra. O primeiro foi o de Tuvalu, cujas ilhas teriam ficado sob as águas se tivesse sido aprovado esse documento; a seguir, falaram os delegados da Bolívia, da Venezuela, de Cuba e da Nicarágua. O enfrentamento dialético às 3h da madrugada de 19 de dezembro é digno de passar à história, se a história durasse muito tempo, após a mudança climática.
Como em Cuba se sabe boa parte do acontecido, ou aparece nas páginas da web da internet, apenas me limitarei a expor em partes as duas contestações do chanceler cubano, Bruno Rodríguez, dignas de serem anotadas para conhecer os episódios finais da telenovela de Copenhague, e os elementos do último capítulo, que ainda não foram publicados em nosso país.
"Senhor presidente (primeiro-ministro da Dinamarca)... O documento que o senhor várias vezes afirmou que não existia, agora apareceu. Todos nós sabemos de versões que circulam de maneira sub-reptícia e que são discutidas em pequenas reuniões secretas, fora das salas em que a comunidade internacional, através de seus representantes, negocia de maneira transparente."
"Junto minha voz à dos representantes de Tuvalu, Venezuela e Bolívia. Cuba considera extremamente fraco e inadmissível o texto deste projeto apócrifo…"
"O documento que o senhor infelizmente apresenta não faz compromisso algum para reduzir as emissões de gases de efeito estufa."
"Conheço as versões anteriores que, através de procedimentos questionáveis e clandestinos, foram também negociadas em reuniões secretas que falavam, pelo menos, da redução de 50% para o ano 2050…"
"O documento que o senhor apresenta agora, omite, precisamente, as já magras e insuficientes frases chave que aquela versão continha. Este documento não garante, de maneira nenhuma, a adoção de medidas mínimas que permitam evitar uma gravíssima catástrofe para o planeta e para a espécie humana."
"Este documento vergonhoso que o senhor apresenta é também omisso e ambíguo quanto ao compromisso específico de redução de emissões de gases à atmosfera por parte dos países desenvolvidos, responsáveis pelo aquecimento global, devido ao nível histórico e atual de suas emissões, e aos quais cabe fazer reduções consideráveis de maneira imediata. Este documento não contém uma só palavra de compromisso por parte dos países desenvolvidos."
"… O seu texto, senhor presidente, é o atestado de óbito do Protocolo de Kyoto, que minha delegação não aceita."
"A delegação cubana deseja enfatizar a preeminência do princípio de ‘responsabilidades comuns, porém diferenciadas’, como conceito fundamental do processo futuro de negociações. O seu documento não diz uma só palavra a respeito disso."
"A delegação de Cuba reitera seu protesto pelas graves violações de procedimento ocorridas na condução antidemocrática do processo desta conferência, nomeadamente, mediante a utilização de formatos de debate e de negociação arbitrários, excludentes e discriminatórios…"
"Senhor presidente, solicito-lhe formalmente que esta declaração seja recolhida no relatório final sobre os trabalhos desta lamentável e vergonhosa 15ª Conferência das Partes."
O que ninguém pôde imaginar é que, depois de outro longo recesso e quando já todos pensavam que só faltavam os trâmites formais para concluir a Cúpula, o primeiro-ministro do país-sede, instigado pelos ianques, tentou novamente mostrar o documento como aprovado pela Cúpula, quando nem sequer ficavam chanceleres no plenário. Delegados da Venezuela, Bolívia, Nicarágua e Cuba, que permaneceram vigilantes até o último instante, frustraram a última manobra em Copenhague.
Contudo, o assunto não acabou. Os poderosos não se acostumam, nem admitem resistência. Em 30 de dezembro, a Missão Permanente da Dinamarca nas Nações Unidas, em Nova Iorque, informou cortesmente à nossa Missão nessa cidade que tinha feito apontamentos do Acordo de Copenhague, em 18 de dezembro de 2009, e juntava uma cópia adiantada dessa decisão. Afirmou textualmente: "… o governo da Dinamarca, como presidente da COP15, convida as Partes da Convenção a informarem, por escrito e o antes possível, à Secretaria da UNFCCC, a decisão de se associar ao Acordo de Copenhague."
Esta comunicação inesperada motivou a resposta da Missão Permanente de Cuba nas Nações Unidas, na qual "…rejeita taxativamente a intenção de fazer aprovar, por via indireta, um texto que foi alvo de repúdio por parte de várias delegações, não só pela mornidão diante das sérias consequências da mudança climática, mas também por responder exclusivamente aos interesses de um grupo reduzido de Estados."
Por sua vez, originou uma carta do vice-primeiro-ministro de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente da República de Cuba, Doutor Fernando González Bermúdez, para o secretário-executivo da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, Sr. Yvo de Boer, alguns de cujos parágrafos transcrevemos:
"Recebemos com surpresa e preocupação a nota enviada pelo governo da Dinamarca às Missões Permanentes dos Estados-Membros das Nações Unidas em Nova Iorque, fato que o senhor certamente conhece, por meio da qual as partes da Convenção Marco das Nações Unidas foram exortadas a informarem à Secretaria Executiva, por escrito e o mais rápido possível, a decisão de se associarem ao denominado Acordo de Copenhague."
"Vemos também com preocupação que o governo da Dinamarca comunica que a Secretaria Executiva da Convenção incluirá no relatório da Conferência das Partes realizada em Copenhague uma lista das Partes que teriam manifestado sua decisão de se associarem ao referido Acordo."
"Em opinião da República de Cuba, esta forma de agir constitui uma grosseira e reprovável violação do que foi decidido em Copenhague, onde as Partes, diante da evidente falta de consenso, se limitaram a fazer apontamentos desse documento."
"Nada do que foi acertado na 15ª Conferência autoriza o governo da Dinamarca a adotar esta ação e, ainda menos, a Secretaria Executiva a incluir no relatório final uma lista das Partes, para o qual não tem mandato."
"Devo comunicar-lhe que o governo da República de Cuba rejeita firmemente esta nova tentativa de legitimar, por via indireta, um documento espúrio e reiterar-lhe que esta forma de agir compromete o resultado das futuras negociações, estabelece um perigoso precedente para os trabalhos da Convenção e prejudica, em particular, o espírito de boa fé com que as delegações deverão prosseguir o processo de negociações no ano próximo", concluiu o vice-primeiro-ministro de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente de Cuba.
Muitos têm certeza, particularmente os movimentos sociais e as pessoas melhor informadas das instituições humanitárias, culturais e científicas, de que o documento promovido pelos Estados Unidos constitui um retrocesso das posições alcançadas por aqueles que fazem o maior esforço para evitar uma catástrofe colossal para nossa espécie. Seria em vão repetir aqui cifras e fatos que demonstram matematicamente isso. Os dados aparecem nas páginas da web da internet e estão ao alcance de um número crescente de pessoas que interessadas no tema.
A teoria com que é defendida a adesão ao documento é fraca e representa um retrocesso. Invoca-se a ideia enganosa de que os países ricos contribuiriam com uma mísera quantia de US$30 bilhões em três anos para os países pobres a fim de financiar as despesas do enfrentamento à mudança climática, cifra que poderia aumentar para 100 mil a cada ano em 2020, o que neste gravíssimo problema, equivale a esperar para as calendas gregas. Os especialistas sabem que essas cifras são ridículas e inaceitáveis pelo volume de investimentos de que se precisa. A origem de tais somas é incerta e confusa, por conseguinte elas não comprometem ninguém.
Qual é o valor de um dólar? O que significam US$30 bilhões? Todo mundo sabe que, desde Bretton Woods, em 1944, até a ordem presidencial de Nixon em 1971 — dada para deixar cair sobre a economia mundial a despesa do genocídio contra o Vietnã —, o valor de um dólar, em ouro, foi se reduzindo até ser hoje aproximadamente 32 vezes menor que o daquela data; US$30 bilhões significam menos de um bilhão, e 100 mil divididos por 32, equivalem a 3.125, que hoje não dão nem para construir uma refinaria de petróleo de capacidade média.
Se os países industrializados cumprissem alguma vez a promessa de contribuir para os que estão em vias de desenvolvimento com 0,7% do PIB — o qual, exceto poucas vezes, nunca fizeram?, a cifra ultrapassaria US$250 bilhões a cada ano.
Para salvar os bancos, o governo dos Estados Unidos gastou US$800 bilhões. Quanto estaria disposto a gastar para salvar os 9 bilhões de pessoas que habitarão o planeta em 2050, se antes não ocorrem grandes secas e inundações provocadas pelo mar, devido ao degelo de calotas polares, e pelos grandes volumes de águas gélidas da Groenlândia e da Antártida?
Não nos deixemos enganar. O que os Estados Unidos queriam conseguir com suas manobras em Copenhague é dividir o Terceiro Mundo, afastar mais de 150 países subdesenvolvidos da China, da Índia, do Brasil, da África do Sul e de outros, com os quais devemos lutar juntos para defendermos, em Bonn, no México ou em qualquer outra conferência internacional, junto às organizações sociais, científicas e humanitárias, verdadeiros Acordos que beneficiem todos os países e preservem a humanidade de uma catástrofe que pode conduzir à extinção de nossa espécie.
O mundo possui cada vez mais informação, mas os políticos têm cada vez menos tempo para pensarem.
As nações ricas e seus líderes, incluído o Congresso dos Estados Unidos, parecem estar discutindo quem será o último a desaparecer.
Quando Obama terminar as 28 festas com que se propôs celebrar este Natal, se entre elas estiver incluída a dos Reis Magos, talvez Gaspar, Belquior e Baltazar lhe aconselhem o que deve fazer.
Gostaria pedir desculpas por me alongar. Não quis dividir em duas partes esta Reflexão. Peço desculpas aos pacientes leitores.
Fonte: http://subterraneodaliberdade.blogs.sapo.pt/40672.html
Opinião - Impostos Municipais - 10Dez2009 23:27:29
Justiça Fiscal, Uma exigência!
Fonte: http://subterraneodaliberdade.blogs.sapo.pt/40382.html
Opinião Jorge Cadima - 22Nov2009 00:43:29
«O adeus ao comunismo? Provocou um milhão de mortos». O título não é duma publicação comunista. É dum jornal do grande capital italiano, o Corriere della Sera (9.11.09), que noticia um estudo de professores de Oxford e Cambridge, publicado na conceituada revista médica britânica The Lancet. «Baseados nos dados da UNICEF, de 1989 a 2002» os autores afirmam que «as políticas de privatização em massa nos países da União Soviética e na Europa de Leste aumentaram a mortalidade em 12,8% […] ou seja, causaram a morte prematura a um milhão de pessoas». «Morreu-se mais lá onde se adoptaram as “terapias de choque”: na Rússia, entre 1991 e 1994, a esperança de vida diminuiu em 5 anos». Conclusões de estudos anteriores foram ainda mais gravosas. Como escreve o Corriere della Sera, «A agência da ONU para o desenvolvimento, a UNDP, em 1999 contabilizou em 10 milhões as pessoas desaparecidas na telúrica mudança de regime, e a própria UNICEF falou em mais de 3 milhões de vítimas». Foi para celebrar estes magníficos resultados que o estado-maior do imperialismo se reuniu em Berlim, com pompa, circunstância e transmissões televisivas infindáveis, numa comemoração de regime dos 20 anos da contra-revolução a Leste.
O balanço da restauração do capitalismo é ainda mais grave. Mesmo sem falar no sofrimento dos vivos a Leste – o alastrar de pobreza extrema, dos sem-abrigo, da prostituição, da tóxico-dependência ou a emigração em massa para sobreviver – os efeitos das contra-revoluções de 1989-91 fizeram-se sentir em todo o planeta. As “terapias de choque” dum imperialismo triunfante e ávido de reconquistar as posições perdidas ao longo do Século XX tornaram-se uma mortífera realidade global, e tiveram em 2008 o seu corolário inevitável: a maior crise do capitalismo desde os anos 30. Uma escalada de mortíferas guerras foram ao mesmo tempo desencadeadas pelo imperialismo, liberto do contrapeso dos países socialistas.
Muitas centenas de milhares de mortos (mais de 650 mil só no Iraque, segundo outro estudo publicado em 2006 na Lancet) são o fruto da “queda do Muro” no Golfo, na Jugoslávia, no Afeganistão, no Iraque, no Líbano, na Palestina, e agora no Paquistão – para não falar das agressões “menores”. E foram acompanhadas pelo “Gulag” de prisões secretas dos EUA espalhadas por todo o mundo, no qual desaparecem milhares de pessoas raptadas e torturadas por um sistema de repressão acima de qualquer controlo. Os dirigentes do “mundo livre” que se juntaram, ufanos, em Berlim, são todos responsáveis por este banho de sangue e repressão. Podem mostrar-se de cara simpática e tratarem-se amigavelmente por Hillary, Angela, Nicolas, Bill, Tony ou «porreiro, pá». Mas das suas mãos escorre o sangue e sofrimento de milhões de pessoas em todo o planeta – de Peshawar a Guantánamo (que continua aberta), de Abu Ghraib às Honduras (que continua sob controlo dos golpistas e a indiferença da comunicação social “democrática”), das maquiladoras mexicanas aos campos de refugiados palestinos (que continuam – há 60 anos – à espera do seu Estado).
Pelo “Gulag” democrático-ocidental passou Khalid Shaikh Mohammed, que vai agora a julgamento nos EUA, acusado de ser o responsável primeiro do 11 de Setembro (mas não era o Bin Laden?). Segundo o New York Times (15.11.09) «foi submetido 183 vezes à técnica de quase afogamento chamada waterboarding». O jornal afirma que ele também se diz responsável «por uma série de conspirações» como «tentativas de assassinato do Presidente Bill Clinton, do Papa João Paulo II e as bombas de 1993 no World Trade Center». Mais um afogamento simulado e confessaria também ser responsável pelo aquecimento global e o sumiço de D. Sebastião em Alcácer-Quibir. Mas atente-se na vida do acusado: paquistanês, criado no Kuwait e diplomado por uma universidade americana viajou, após os estudos, «para o Paquistão e o Afeganistão, a fim de se juntar aos combatentes mujahedines que, nessa altura, recebiam milhões de dólares da CIA para lutar contra as tropas soviéticas» (NYT, 15.11.09). Afeganistão hoje ocupado e onde «segundo responsáveis da NATO […] um terço dos polícias afegãos são toxicodependentes» (Sunday Times, 8.11.09). Admirável mundo novo que a “queda do Muro” pariu!
Fonte: http://subterraneodaliberdade.blogs.sapo.pt/40095.html
Reflexão de Fidel Castro - 22Nov2009 00:33:24
A Revolução Bolivariana e a paz
• EU conheço bem Chávez; ninguém como ele seria mais renuente a derramar sangue de venezuelanos e colombianos, dois povos tão irmãos como os cubanos que vivem no leste, no centro e no extremo oeste da nossa Ilha. Não tenho outra forma de exprimir o grau de irmandade que existe entre venezuelanos e colombianos.
A caluniosa imputação ianque de que Chávez planeja uma guerra contra a vizinha Colômbia levou um influente órgão de imprensa colombiano a publicar no domingo passado, 15 de novembro, sob o título "Tambores da guerra", um desdenhoso e injurioso editorial contra o presidente venezuelano, onde se afirma, entre outras questões, que "a Colômbia deve levar bem a sério a mais grave ameaça a sua segurança em mais de sete décadas, pois foi feita por um presidente que, além disso, é de formação militar..."
"A razão – continua – é que cada vez são maiores as possibilidades de uma provocação, que pode ir desde um incidente fronteiriço até um ataque contra instalações civis ou militares na Colômbia."
Mais adiante, o editorial acrescenta como algo provável "...que Hugo Chávez intensifique seus ataques contra os ‘esquálidos’ — alcunha com que chama os seus opositores – e tente tirar do poder municipal ou regional a quem o contradiz. Já o fez com o prefeito de Caracas... e agora quer fazê-lo com os governadores dos estados fronteiriços com a Colômbia, que se recusam a se submeterem a sua autoridade... Um confronto com forças colombianas ou a acusação de que elementos paramilitares planejam ações no território venezuelano pode ser o pretexto de que precisa o regime chavista para suspender as garantias constitucionais."
Tais palavras apenas servem para justificar os planos agressivos dos Estados Unidos e a grosseira traição da oligarquia e da contrarrevolução na Venezuela contra a sua Pátria.
Coincidindo com a publicação desse editorial, o líder bolivariano tinha escrito o seu artigo semanal em "As linhas de Chávez", no qual julga a impudica concessão de sete bases militares aos Estados Unidos em território da Colômbia, o qual tem 2.050 quilômetros de fronteira com a Venezuela.
Nesse artigo, o presidente da República Bolivariana explicou com coragem e lucidez sua posição.
"...eu disse-o nesta sexta-feira, no ato pela paz e contra as bases militares dos Estados Unidos em terra colombiana: tenho a obrigação de fazer um apelo a todos para nos prepararmos para defender a Pátria de Bolívar, a Pátria dos nossos filhos. Se não o fizesse, estaria cometendo um ato de alta traição... A nossa Pátria é hoje livre e vamos defendê-la com a vida. A Venezuela nunca mais será colônia de ninguém; nunca mais se ajoelhará diante do invasor ou de qualquer império... o gravíssimo e transcendental problema que tem lugar na Colômbia não pode passar despercebido pelos governos latino-americanos..."
Mais adiante acrescenta conceitos importantes: "...todo o arsenal bélico ianque, contemplado no acordo, responde ao conceito de operações extraterritoriais... torna o território colombiano um gigantesco enclave militar ianque..., a maior ameaça à paz e à segurança da região sul-americana e de toda Nossa América."
"O acordo... impede que a Colômbia possa dar garantias de segurança e de respeito a ninguém; nem sequer aos colombianos e às colombianas. Um país que deixou de ser soberano e que é instrumento do ‘novo colonialismo" vaticinado pelo nosso Libertador, não pode dá-las."
Chávez é um verdadeiro revolucionário, pensador profundo, sincero, corajoso e trabalhador incansável. Não galgou o poder mediante um golpe de Estado. Revoltou-se contra a repressão e o genocídio dos governos neoliberais que entregaram os enormes recursos naturais do seu país aos Estados Unidos. Sofreu prisão, alcançou maturidade e desenvolveu suas ideias. Não assumiu o poder por meio das armas, apesar de sua origem militar.
Possui o grande mérito de ter iniciado o difícil caminho de uma revolução social profunda, a partir da denominada democracia representativa e da mais absoluta liberdade de expressão, quando os mais poderosos recursos da mídia do país estavam e estão nas mãos da oligarquia e a serviço dos interesses do império.
Em apenas onze anos, a Venezuela conseguiu os maiores avanços educacionais e sociais alcançados por um país no mundo, apesar do golpe de Estado e dos planos de desestabilização e descrédito perpetrados pelos Estados Unidos.
O império não decretou bloqueio econômico à Venezuela —como o fez em Cuba — após o fracasso de seus golpes sofisticados contra o povo venezuelano, porque se teria bloqueado a si mesmo, devido a sua dependência energética do exterior, mas não renunciou ao seu objetivo de destruir o processo bolivariano e o seu generoso apoio com recursos petroleiros aos países do Caribe e da América Central, suas amplas relações de intercâmbio com a América do Sul, a China, a Rússia e numerosos Estados da Ásia, da África e da Europa. A Revolução Bolivariana goza de simpatias em amplos setores de todos os continentes. Dói especialmente ao império suas relações com Cuba, depois de um bloqueio criminoso ao nosso país, que já data de meio século. A Venezuela de Bolívar e a Cuba de Martí, através da ALBA, promovem novas formas de relações e intercâmbios sobre bases racionais e justas.
A Revolução Bolivariana tem sido especialmente generosa com os países do Caribe em momentos extremamente graves de crise energética.
Na nova etapa atual, a Revolução na Venezuela encara problemas completamente novos que não existiam quando, há quase exatamente 50 anos, triunfou a nossa Revolução em Cuba.
O tráfico de drogas, o crime organizado, a violência social e o paramilitarismo mal existiam. Nos Estados Unidos ainda não havia surgido o enorme mercado atual de drogas que o capitalismo e a sociedade de consumo criaram nesse país. Para a Revolução, não significou um grande problema combater o tráfico de drogas em Cuba e impedir sua introdução na produção e no consumo das mesmas.
Para o México, a América Central e a América do Sul, estes flagelos significam hoje uma crescente tragédia que está longe de ter sido ultrapassada. Ao intercâmbio desigual, ao protecionismo e ao saque de seus recursos naturais, somaram-se o tráfico de drogas e a violência do crime organizado que o subdesenvolvimento, a pobreza, o desemprego e o gigantesco mercado de drogas dos Estados Unidos criaram nas sociedades latino-americanas. A incapacidade desse país imperial e rico para impedir o tráfico e o consumo de drogas deu lugar em muitas partes da América Latina ao cultivo de plantas, cujos valores como matérias-primas para as drogas ultrapassavam muitas vezes o dos demais produtos agrícolas, criando gravíssimos problemas sociais e políticos.
Os paramilitares da Colômbia constituem hoje a primeira tropa de choque do imperialismo para combater a Revolução Bolivariana.
Precisamente, por sua origem militar, Chávez sabe que a luta contra o narcotráfico é um pretexto vulgar dos Estados Unidos para justificarem um acordo militar que responde inteiramente à conceição estratégica desse país no fim da Guerra Fria, para estender seu domínio do mundo.
As bases aéreas, os meios, os direitos operativos e a impunidade total dada pela Colômbia a militares e civis ianques no seu território, não têm nada a ver com o combate ao cultivo, à produção e ao tráfico de drogas. Este é hoje um problema mundial; estende-se não apenas pelos países da América do Sul, mas também começa a se estender pela África e por outras áreas. No Afeganistão já reina, apesar da presença em massa das tropas ianques.
A droga não deve ser um pretexto para instalar bases, invadir países e levar a violência, a guerra e o saque aos países do Terceiro Mundo. É o pior ambiente para criar virtudes cidadãs e levar educação, saúde e desenvolvimento a outros povos.
Enganam-se os que acreditam que dividindo colombianos e venezuelanos terão sucesso em seus planos contrarrevolucionários. Muitos dos melhores e mais humildes trabalhadores da Venezuela são colombianos e a Revolução lhes deu educação, saúde, emprego, direito à cidadania e outros benefícios para eles e seus entes mais queridos. Todos eles juntos, venezuelanos e colombianos, defenderão a grande Pátria do Libertador da América; juntos lutarão pela liberdade e pela paz.
Os milhares de médicos, educadores e outros cooperadores cubanos que cumprem seus deveres internacionalistas na Venezuela estarão junto a eles!
Fonte: http://subterraneodaliberdade.blogs.sapo.pt/39798.html
José Gomes Ferreira - 21Nov2009 23:41:05
Viver Sempre Também Cansa
Viver sempre também cansa!
O Sol é sempre o mesmo e o céu azul
ora é azul, nitidamente azul,
ora é cinza, quase verde...
Mas nunca tem cor inesperada.
O Mundo não se modifica.
As árvores dão flores,
folhas, frutos e pássaros
como máquinas verdes.
As paisagens também não se transformam.
Não cai neve vermelha,
não há flores que voem,
a lua não tem olhos
e ninguém vai pintar olhos à lua.
Tudo é igual, mecânico e exacto.
Ainda por cima os homens são os homens.
Soluçam, bebem, riem e digerem
sem imaginação.
E há bairros miseráveis, sempre os mesmos,
discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe,
automóveis de corrida...
E obrigam-me a viver até à Morte!
Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
de vez em quando,
e recomeçar depois, achando tudo mais novo?
Ah! se eu pudesse suicidar-me por seis meses,
morrer em cima de um divã
com a cabeça sobre uma almofada,
confiante e sereno por saber
que tu velavas, meu amor do Norte.
Quando viessem perguntar por mim,
havias de dizer com o teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
"Matou-se esta manhã.
Agora não o vou ressuscitar
por uma bagatela."
E virias depois, suavemente,
velar por mim, subtil e cuidadosa,
pé ante pé, não fosses acordar
a Morte ainda menina no meu colo..."
José Gomes Ferreira no Subterrâneo da Literatura
Fonte: http://subterraneodaliberdade.blogs.sapo.pt/39461.html
Dead Can Dance - Toward the Within - "Rakim" - 21Nov2009 22:35:05
Dead Can Dance no Subterrâneo da Música
Fonte: http://subterraneodaliberdade.blogs.sapo.pt/39403.html
Saramago e a Bíblia - 19Out2009 21:26:15
A Bíblia, um conjunto de livros milenares, é de extrema importância para a compreensão do mundo em que vivemos e para a compreensão histórica de um determinado povo e território (antigo testamento). E deve ser lida como tal, com racionalidade, pondo de lado dogmas incutidos no Homem muito à custa do medo e ignorância.
Quando tentamos transpor os relatos da Bíblia para os dias de hoje e para o nosso quotidiano, ela é de facto na sua essência um livro de maus costumes e práticas. Concordo, plenamente, com a afirmação de Saramago.
A ideia de deus é individual e existe só na nossa fé, creio que se não existisse a morte, talvez, não existisse deus.
Afirmo que o Homem é demasiado orgulhoso para dizer que não compreende determinados fenómenos, logo deus é o álibi perfeito, é a explicação necessária.
Não me alongarei mais neste tema porque exige muita reflexão e o tempo é pouco, deixo só este exemplo de como a Bíblia aplicada nos dias de hoje tem pouco de misericordioso.
Fonte: http://subterraneodaliberdade.blogs.sapo.pt/39105.html
É com o PCP que podem contar! - 18Out2009 20:20:02
Terminado os três actos eleitorais, o PCP afirmou-se como um grande partido nacional.
Os resultados eleitorais alcançados pela CDU, independentemente, dos critérios de análise, dá ao PCP, força maior da coligação, confiança e força para as lutas políticas que terá de travar nos próximos tempos pela defesa dos interesses das populações, contra as injustiças e por uma vida melhor.
Foi com este espírito que o PCP apresentou na Assembleia da República oito projectos de lei que vão ao encontro das reais necessidades dos trabalhadores e reformados.
Mário Figueiredo
Fonte: http://subterraneodaliberdade.blogs.sapo.pt/38764.html
Poema: Parasitas - 15Jul2009 21:57:58
Parasitas
No meio de uma feira, uns poucos de palhaços
Andavam a mostrar, em cima de um jumento
Um aborto infeliz, sem mãos, sem pés, sem braços,
Aborto que lhes dava um grande rendimento.
Os magros histriões, hipócritas, devassos,
Exploravam assim a flor do sentimento,
E o monstro arregalava os grandes olhos baços,
Uns olhos sem calor e sem entendimento.
E toda a gente deu esmola aos tais ciganos:
Deram esmola até mendigos quase nus.
E eu, ao ver este quadro, apóstolos romanos,
Eu lembrei-me de vós, funâmbulos da Cruz,
Que andais pelo universo há mil e tantos anos,
Exibindo, explorando o corpo de Jesus.
Guerra Junqueiro - Freixo de Espada à Cinta, 1850-1923
Fonte: http://subterraneodaliberdade.blogs.sapo.pt/38517.html
Alegre: Ainda há dúvidas? - 14Jul2009 21:43:52
Será que ainda há dúvidas sobre o que pretende Manuel Alegre para o PS e para o país?
Em recentes declarações à TSF Manuel Alegre revela qual vai ser o seu papel para os próximos actos eleitorais.
Fonte: http://subterraneodaliberdade.blogs.sapo.pt/38307.html
Eugénio Rosa: Estudo - 13Jul2009 21:07:12
Fonte: http://subterraneodaliberdade.blogs.sapo.pt/38092.html
Herbert J. Biberman: O Sal da Terra - 09Jul2009 13:49:26
O SAL DA TERRA
Este clássico raramente exibido é o único filme americano independente feito por comunistas. O argumento a luta dos trabalhadores latino-americanos para terem os mesmos direitos dos seus colegas anglo-americanos numa mina de estanho do Novo México, O Sal da Terra foi informado por atitudes feministas pouco características para a época.
O filme foi inspirado pela inclusão na lista negra do realizador Herbert Biberman, do argumentista Michael Wilson, do produtor e antigo argumentista Paul Jarrico e do compositor Sol Kaplan. Conforme diria mais tarde Jarrico, uma vez que tinham sido expulsos de Hollywood por serem subversivos, já agora cometeriam um "crime para encaixar a pena" fazendo um filme subversivo. O resultado é um filme de alto nível, prodigioso e inteligente.
Mantido fora das salas de cinema americanas até 1965, a película foi largamente exibida e homenageada na Europa, mas nunca teve o reconhecimento que merecia nos Estados Unidos. Infelizmente, a mais famosa discussão crítica nos Estados Unidos é um panfleto de Pauline Kael, no qual o filme é ridicularizado como "propaganda". Passado meio século, a obra continua a ser fundamental.
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Realização: Herbert J. Biberman
Produção: Adolfo Barela, Sonja Dahl Biberman e Paul Jarrico
Argumento: Michael Biberman e Michael Wilson
Fotografia: Stanley Meredith e Leonard Stark
Música: Sol Kaplan
Elenco: Rosauro Revueltas, Will Geer, David Wolfw, Mervin Williams, David Sarvis, Juan Chacón, Henrietta Williams, Ernesto Velázquez, Ángela Sánchez, Joe T. Morales, Clorinda Alderette, Charles Coleman, Virginia Jencks e Vítor Torres |
Fonte: http://subterraneodaliberdade.blogs.sapo.pt/37871.html
Bernardo Santareno: A Promessa - 08Jul2009 20:53:08
A Promessa
A Promessa é uma peça em três actos e três quadros de Bernardo Santareno. Escrita em 1957, numa década em que o fascismo em Portugal intensificava a sua opressão, e condicionava todas as formas de arte, A Promessa é representada pela companhia do Teatro Experimental do Porto, com a encenação de António Pedro. Após, a exibição em palco A Promessa foi proibida, ao que parece, por pressões da Igreja Católica.
Bernardo Santareno pseudónimo de António Martinho Rosário, médico psiquiatra, natural de Santarém, em A Promessa relata o drama de um jovem casal prisioneiro de uma promessa, da qual não se pode libertar, mesmo indo contra a própria natureza humana. A libertação do casal, no final do drama, dá-se quando a pressão social e a própria natureza humana é superior à força da religião supersticiosa.
A Promessa é, certamente, uma obra-prima do Teatro Português.
A critica:
"Acontece, como me aconteceu, pegar sem fé num volume de peças de teatro de um autor desconhecido e descobrir, com deslumbramento, um grande dramaturgo português, com certeza um dos casos mais sensacionais da dramaturgia contemporânea depois do Lorca..."
António Pedro, em Diário de Notícias
"Poucas pessoas têm tantas qualidades como Santareno, para se perderem ou salvarem, nos pântanos do talento e do êxito, na celebridade das discussões apaixonadas, no vazio total e infernal das obsessões de angelismo."
Jorge de Sena, em Gazeta Musical e de todas as Artes.
"Depois de haver revelado ao público essa obra-prima do teatro português contemporâneo que A Promessa, de Bernardo Santareno, obra que cedo ou tarde atravessará fronteiras e terá a projecção universal que merece..."
Urbano Tavares Rodrigues, em Diário de Lisboa
Fonte: http://subterraneodaliberdade.blogs.sapo.pt/37388.html
Agostinho Lopes: Candidato CDU Distrito de Braga - 06Jul2009 19:46:13
Agostinho Lopes, de 64 anos, é engenheiro químico-industrial de formação. Membro do Comité Central do PCP, é responsável pela Comissão das Actividades Económicas e participa no sector da Agricultura.
Deputado eleito pelo círculo de Braga é, de longe, dos deputados eleitos pelo distrito, aquele que tem mais actividade e um maior número de iniciativas parlamentares sobre os problemas da região . Integrou, na legislatura que ainda prossegue, várias comissões parlamentares.
É o primeiro candidato à Assembleia da República do distrito de Braga pela CDU.
Fonte: http://subterraneodaliberdade.blogs.sapo.pt/37305.html
Joracy Camargo - Deus Lhe Pague... - 05Jul2009 23:20:30
DEUS LHE PAGUE...
A propósito das peças de Joracy Camargo, um notável crítico do Brasil evocou "a arte de diálogo" de Dumas Filho e de Oscar Wilde. Esse justo louvor merece-o, decerto, o grande comediógrafo, mas é apenas um dos aspectos do seu excepcional talento, desse raro talento que Procópio Ferreira, o intérprete admirável de Joracy Camargo, não hesita em qualificar de "génio".
Ouvindo representar qualquer das obras de Joracy, ou lendo-as no sossego duma hora consagrada ao espírito e à beleza, reconhecemos realmente a presença do "génio", isto é, da capacidade de criar vida, de comunicar vida e vibração a todos os personagens que surgem e se movem no palco.
O público português, que aplaudiu com entusiasmo esse comovente Deus Lhe Pague... sabe que Joracy Camargo reúne em suas comédias a mais prestigiosa técnica aos mais elevados e nobres pensamentos sociais. O seu teatro pode e deve chamar-se, sem o menor exagero, "teatro de ideias", teatro que não contente em divertir ou distrair, mas que pretende e consegue sempre erguer a alma do ouvinte ou do leitor acima das mesquinharias e dos egoísmos quotidianos.
Ressuma, transcende a humanidade, resplende de inteligência e vibra de profunda, embora discreta emoção contagiosa. Deus Lhe Pague... teve centenas de representações no Brasil, foi representada na Argentina em quatro teatros ao mesmo tempo, assim como obteve idêntico êxito de todos os países da América Latina onde se contam muitas edições da comédia já famosa, que foi adoptada oficialmente nas Universidades norte-americanas, como livro auxiliar no ensino da língua portuguesa.
Procópio chama a Deus Lhe Pague... a maior obra cultural do teatro brasileiro. Opinião de singular importância, vindo, como vem, do actor exímio, que não tem rival no seu país nem em toda América do Sul.
Excerto de Deus Lhe Pague...
Mendigo: Na sua opinião. O que o povo quer é a coisa mais simples deste mundo.
Péricles: Qual é?
Mendigo: A supressão de uma palavra do dicionário.
Péricles: Qual?
Mendigo: Miséria!
Péricles: Só isso?
Mendigo: Só
(..)
Péricles: E o egoísmo?
Mendigo: O egoísmo é o grande obstáculo! É o castelo feudal em cuja arca está guardada essa palavra abominável mas necessária - Propriedade!
Péricles: Se não me engano, pela sua maneira de falar, o senhor é comunista!
Mendigo: Psiu! Silêncio! Comunismo é palavra que quer entrar para o dicionário com escalas pela polícia...
Péricles: Então, é por isso que toda a gente tem medo dessa palavra?...
Nancy: E haverá razão para tanto medo?
Mendigo: Há! O comunismo é como aquele boneco de palha de que a gente tem medo quando é criança.
Nancy: Não entendi.
Mendigo: Havia em minha casa, quando eu era pequeno, um boneco de palha, com o qual minha mãe me obrigava a dormir mais cedo. Eu tinha um terror pânico do boneco. Um dia, distraidamente, sentei-me em cima do manipanso.
Nancy: Que horror!
Péricles: Deu um salto, assustadíssimo?!
Mendigo: Não, Quando percebi que o esmagara, retirei-o do suplício, examinei-o bem e compreendi, por mim mesmo, que o boneco de palha era incapaz de fazer mal às crianças. Ajeitei a barriguinha dele e tornei-me o seu maior amigo.
Nancy: E sua mãe?
Mendigo: Minha mãe ficou meio encabulada. Mas fui incapaz de chama-la mentirosa. - O comunismo é o boneco de palha das crianças grandes.
Fonte: http://subterraneodaliberdade.blogs.sapo.pt/37066.html
CDU - Avança, Com toda a Confiança! - 28Mai2009 23:56:59
Fonte: http://subterraneodaliberdade.blogs.sapo.pt/36808.html
Momentos de Vida e Luta do PCP - 64º Momento - 01Mai2009 23:44:41
O 25 de Abril de 1974 teve, uma semana depois, a sua confirmação maior nas gigantescas manifestações unitárias do 1º de Maio - expressão da imensa força autónoma e independente do movimento operário e popular. As impressionantes manifestações do 1º de Maio afirmaram o movimento operário e popular como uma poderosa realidade da vida nacional à qual estava reservado um papel determinante no curso da revolução portuguesa.
Esse papel é inseparável da orientação do PCP no sentido do reforço da unidade da classe operária e de todos os trabalhadores e da constituição de uma ampla frente social e política empenhada na defesa da democracia e das conquistas de Abril e da acção abnegada dos militantes comunistas nas mais diversas estruturas e frentes de luta do movimento popular.
A revolução portuguesa iria desenvolver-se através da acção conjugada das massas populares e do Movimento das Forças Armadas.
Álvaro Cunhal, na sua intervenção: "Nestes dias deram-se passos gigantescos no sentido da democratização da vida nacional. Mas o perigo da reacção fascistas, o perigo da contra-revolução existe."
Fonte: http://subterraneodaliberdade.blogs.sapo.pt/36412.html
Reflexões de Fidel Castro - 03Abr2009 22:37:03
O início da Cimeira
HOJE começou a Reunião Cimeira do G-20. Os especialistas em temas econômicos têm realizado um esforço enorme. Alguns com experiência em importantes cargos internacionais; outros, como estudiosos investigadores. O assunto é complexo, a linguagem é nova e exige a familiarização com os termos, os dados econômicos, os organismos internacionais e os líderes políticos mais influentes a nível internacional. Por isso temos o afã de simplificar e explicar de um modo que se compreenda bem o que está a acontecer em Londres, segundo a minha visão.
Ninguém deve achar estranho que Obama seja a estrela da reunião de Londres. Representa o país mais poderoso e rico do mundo. Favorecem-no circunstâncias especiais. Ali não está Bush, mentiroso, cínico, guerreirista e odioso. Também não Mc Cain, medíocre e ignorante, graças especialmente à surpreendente vitória de Obama, negro no país da discriminação racial, onde uma maioria de eleitores brancos votou a favor de McCain, embora não fosse o suficiente para compensar os votos de mais de 90% dos negros e mestiços norte-americanos, dos cidadãos de origem latina, dos pobres e dos afetados pela crise. Eleito recentemente, enquanto outros líderes do G-20 estão perto de concluírem o seu mandato, Obama será o provável presidente dos Estados Unidos durante oito anos. Nada há de extraordinário que as notícias de Londres girem em volta dele.
O que importa ao mundo é o resultado dessa reunião, se houver algum. Cada um dos participantes tem seus próprios objetivos nacionais, inclusive pessoais, como líderes políticos que serão julgados pela história.
O de Obama é, em primeiro lugar, mudar a imagem de seu país, principal responsável pela tragédia que esta a sofrer o mundo e a quem a opinião internacional culpa com razão pela devastadora crise econômica atual, sobre a qual não tem responsabilidade política nenhuma. Como salienta o ex-chefe econômico do Fundo Monetário Internacional e atualmente professor do Instituto Tecnológico de Massachussets, Joseph Stiglitz, "Deveria dizer que ele não tem culpa de nada e que tenta resolvê-lo o mais breve possível".
Seu principal aliado europeu, o Primeiro Ministro Gordon Brown, é o anfitrião da Cimeira e aspira com desmedida a modificar a atual tendência anti-trabalhista desatada pelos desacertos de seu antecessor Tony Blair. Oferece a Obama as honras do Palácio de Buckingham, onde foi recebido com sua esposa Michelle. O Presidente obsequiou a veterana Rainha com um moderno reprodutor digital, fruto da sofisticada tecnologia norte-americana, um Ipod com músicas e imagens da visita de Estado realizada pela a Rainha aos Estados Unidos em 2007 e um livro de partituras assinado por Richard Rogers. Com Sua Majestade não era preciso trocar palavra a respeito da reunião do G-20.
Brown pelo contrário arrisca tudo com a crise. Aspira a mudar a regulação do sistema bancário, impulsionar o crescimento econômico, aumentar a cooperação e acabar com o protecionismo. Reconhece que as negociações serão difíceis.
Sua divisa: "é melhor olhar em frente e não atrás". Logicamente se os eleitores olham atrás ele apenas ganharia uns poucos votos.
O afã de ambos os aliados no seio do G-20 é minimizar as diferenças com a França e a Alemanha.
Sarkozy não dissimula seu descontentamento com a política dos Estados Unidos. É explosivo. Ameaçou recentemente com abandonar a reunião. Ontem declarou à emissora Europe 1 que pelo momento não há acordo satisfatório sobre a Cimeira, embora ter suavizado suas ameaças de abandonar a mesa se não houver avanços que visem uma maior regulação: "Não me associarei a uma Cimeira que não conclua com uma maior regulação". Assevera que os negociadores não conseguiram nenhum acordo.
O rascunho do comunicado da Cimeira, que já circula entre os jornalistas, fala de medidas para restabelecer o crescimento global, manter a abertura dos mercados e fomentar o comércio global. "Temos que obter resultados, não há eleição", insistiu ontem Sarkozy.
Há alguns dias Obama anunciou que os Estados Unidos propõem-se introduzir mudanças em seu sistema de regulação e supervisão, com a esperança de que esta declaração cumpra com uma parte das exigências européias, arrebatando-lhes uma dessas bandeiras.
Sarkozy respondeu que seu empenho em acabar com os paraísos fiscais vá a sério.
A chanceler alemã, Ângela Merkel, muito próxima das posições de Sarkozy, exige que no acordo não seja incluída a exigência de um plano de estímulo fiscal para os países avançados, nem que seja aberto o debate sobre o anúncio de uma nova divisa internacional que os emergentes exigem ao G-7.
"O mundo encontra-se numa encruzilhada" declarou Merkel, "temos que fazer todos os possíveis para que a crise não se repita".
"Temos que avançar mais do que foi dito em Washington", e acrescentou que em Londres deve se garantir a aplicação de tudo o acordado. "Não deve ficar nem um lugar, nem um produto nem uma só instituição, sem supervisão e transparência".
Merkel mostrou-se a favor do aumento da dotação do Fundo Monetário Internacional e de incrementar a ajuda aos países em desenvolvimento vítimas essenciais do impacto da crise.
A ampliação dos recursos do Fundo Monetário Internacional parece já um fato real. O Presidente do México disse em Londres que negocia com o Fundo uma linha de crédito por 26 bilhões de euros. Ontem, o número dois do Fundo Monetário Internacional, John Lipsky, informou em Londres que o FMI facilitará ao México uma linha de crédito de 47 bilhões de dólares para garantir a disponibilidade de liquidez se piorar a situação dos mercados por causa da crise. É uma cifra maior do que a solicitada pelo México.
Como os Estados Unidos possuem a maioria das ações no FMI, sem seu apoio não seria possível esse crédito que sustenta a influência de Obama na Cimeira de Londres.
As notícias anunciavam que Obama reunir-se-á em Londres com Dimitri Medvédev e Hu Jintao, presidentes da Rússia e da China, para conversar sobre os difíceis problemas que enfrentam ambos os países com os Estados Unidos.
Em encontros bilaterais da superpotência com as duas grandes potências, certamente seriam examinados os problemas econômicos, ou quiçá anunciados acordos discutidos e aprovados pacientemente através de seus representantes diplomáticos.
Hoje, 2 de abril, li uma extensa e detalhada informação divulgada pela Agência de Notícias Xinhua, datada no dia 1, onde é informado que "o presidente da China Hu Jintao e o presidente dos Estados Unidos Barack Obama acordaram hoje que seus respectivos países trabalharão juntos para construírem uma relação positiva, cooperada e completa no século XXI".
"Os presidentes, também decidiram estabelecer o mecanismo bilateral de Diálogos Estratégicos e Econômicos."
"O novo compromisso, assumido por ambos os chefes de Estado durante o encontro em Londres, traçará o rumo e dará um forte impulso ao desenvolvimento sustentável, sólido e estável das relações entre as duas nações."
"A relação entre a China e os Estados Unidos continua a ser uma das mais importantes relações bilaterais do mundo no século XXI, século no qual a humanidade enfrenta enormes oportunidades e desafios. Na nova era as duas nações têm responsabilidades importantes no que diz respeito à paz, à estabilidade e ao desenvolvimento mundiais e partilham, além disso, amplos interesses."
"Ambas as partes devem manter o ritmo da época e orientar sempre os laços bilaterais a partir de uma perspectiva estratégica e de longo prazo."
"Devem respeitar e ter em conta os interesses fundamentais da outra parte e aproveitar as oportunidade, ao mesmo tempo devem trabalhar juntas para enfrentar os desafios do século."
"O estabelecimento de mecanismos de Diálogos Estratégicos e Econômicos China-EUA é um passo importante para impulsionar ainda mais a relação bilateral. Com isto o anterior diálogo estratégico entre os dois países tem sido levado a um novo nível."
"Num momento onde a crise financeira internacional continua a espalhar-se, as duas nações devem apoiar-se mutuamente e trabalhar juntas para sobreviver à tormenta, o que favorecerá os interesses primários comuns da China e dos Estados Unidos."
"A China e os Estados Unidos não só devem melhorar os intercâmbios e a cooperação nas áreas de economia, a luta contra o terrorismo, a proliferação, o crime multinacional, mas também têm que fortalecer a comunicação e a coordenação em temas regionais e mundiais."
Esse acordo não pode ser discutido numa reunião de 60 minutos. Já estava elaborado com todos seus detalhes.
A China, que há apenas sete décadas foi invadida e saqueada por seus atuais aliados no continente asiático, avança hoje visando ocupar um lugar cimeiro na economia mundial.
É o principal credor dos Estados Unidos, e discute serenamente com o presidente desse poderoso país as regras que regerão as relações entre as duas nações num mundo cheio de riscos.
Talvez a agência Xinhua divulgue uma das notícias mais importantes relacionadas com a Cimeira do G-20.
Hoje começou e acabou quando estava a redigir estas linhas! Assombroso!!
Fonte: Granma
Fonte: http://subterraneodaliberdade.blogs.sapo.pt/36289.html
A EDP prospera na crise - 16Mar2009 00:00:00
Há quem nunca entre em crise, há, também, quem nunca escape dela.
A EDP é um belo exemplo do primeiro caso, e uma boa parte dos trabalhadores e reformados do segundo.
Tal facto é revelador da opção de classe feita pelos partidos (PS/PSD/CDS) que exerceram o poder em Portugal.
Perante a notícia dos fabulosos grupos da EDP, afirmo a justeza da proposta do PCP de se estabelecer preços da electricidade, combustíveis, comunicação que permitisse ao PME enfrentar a crise que os afecta.
No entanto, não faço este post para me pronunciar sobre os lucros da EDP, mas para sugerir a leitura do Estudo de Eugénio Rosa:
Fonte: http://subterraneodaliberdade.blogs.sapo.pt/36050.html
Do que um homem é capaz - 18Fev2009 23:30:46
As coisas que ele faz
P'ra chegar aonde quer
É capaz de dar a vida
P´ra levar de vencida
Uma razão de viver
A vida é como uma estrada
Que vai sendo traçada
Sem nunca arrepiar caminho
E quem pensa estar parado
Vai no sentido errado
A caminhar sozinho
Vejo a gente cuja a vida
Vai sendo consumida
Por miragens de poder
Agarrados alguns ossos
No meio dos destroços
Do que nunca vão fazer
Vão poluindo o percurso
Co'as sobras do discurso
Que lhes serviu pr'abrir caminho
À custa das nossas utopias
Usurpam regalias
P´ra consumir sozinho
Com políticas concretas
Ímpões essas metas
Que nos entram casa dentro
Como a Trilateral
Co'a treta liberal
E as virtudes do centro
No lugar da consciência
A lei da concorrência
Pisando tudo p´lo caminho
P´ra castrar a juventude
Mascaram de virtude
O querer vencer sozinho
Ficam cínicos, brutais
Descendo cada vez mais
P´ra subir cada vez menos
Quanto mais o mal se expande
Mais acham que ser grande
É lixar os mais pequenos
Quem escolhe ser assim
Quando chegar ao fim
Vai ver que errou o seu caminho
Quanda a vida é hipotecada
No fim não sobra nada
E acaba-a sozinho
Mesmo sendo poderosos
Tão fracos e gulosos
Que precisam do poder
Mesmo havendo tanta gente
P´ra quem é indiferente
Passar a vida a morrer
Há principios e valores
Há sonhos e há amores
Que sempre irão abrir caminho
E quem viver abraçado
À vida que há ao lado
Não vai morrer sozinho
E que morrer abraçado
À vida que há ao lado
Não vai viver sozinho
José Mário Branco - Música do album Resistir é Vencer
Fonte: http://subterraneodaliberdade.blogs.sapo.pt/35812.html
Opinião: Aumento dos Salários e Reformas - 17Fev2009 22:35:39
A proposta de aumento dos salários pode parecer, numa análise superficial, um absurdo em tempos de crise.
No entanto, numa análise mais profunda e reflexão das verdadeiras causas da crise reconhecemos que é a única e mais justa solução para ultrapassamos as dificuldades que afecta única e exclusivamente os trabalhadores, reformados e os pequenos comerciantes e empresários.
Com o avanço tecnológico as empresas aumentaram, substancialmente, a sua produção, mas continuavam a praticar salários baixos, surgiu então um problema. Como escoar os produtos se os trabalhadores não tem poder de compra?
A resolução do problema para o capital foi o incentivo do crédito bancário ao consumo. Assim o capitalista lucrava duas vezes, escoava os produtos obtendo o respectivo lucro e fazia empréstimos bancários obtendo o respectivo juro.
Só que o balão de oxigénio, que preenchia o espaço entre os salários baixos e o crescimento da produção, arrebentou e o capital está, novamente, a braços com o problema de escoamento dos produtos porque os trabalhadores perderam o poder de compra fictício.
Há quem defenda que a culpa de recorrer ao crédito é dos trabalhadores, que não se sabem governar. Era o crédito à habitação, o carro, as férias e até as prendas de natal. Mas se aos salários baixos, juntarmos o marketing comercial e financeiro agressivo e a propensão ao consumo inerente ao ser humano, que outro resultado poderia ter a solução apresentada pelo capital?
Não rejeito alguma responsabilidade individual, mas da mesma forma que ao observamos o traficante a vender ao toxicodependente exigimos a prisão de um e o tratamento do outro, também, aqui exigimos a ruptura com a política ao serviço do capital e o aumento dos salários e reformas.
No entanto, não foi assim que José Sócrates e o Governo PS entenderam ao criarem o Código de Trabalho que hoje entrou em vigor. Com este código não só não prenderam o capital como lhe deram quase total liberdade e aos trabalhadores fragilizaram-nos ainda mais com trabalho mais precário e perda de remuneração (subsídios de turno e horas extraordinárias).
Só com o aumento de salários e reformas os trabalhadores aumentarão o seu poder de compra e, só isso, será a verdadeira alavanca para o crescimento económico.
O talho vendia mais carne, a peixaria mais peixe, a supermercado mais mercearia, o restaurante mais almoços, a livraria mais livros, os cafés mais café, a boutique mais vestuário, a sapataria mais calçado, etc...
Por isso até aos pequenos comerciantes e empresários seria benéfico o aumento dos salários e reformas. Só o grande capital deixaria de poder concentrar a riqueza criada por todos nós porque o aumento dos salários e reformas é a justa distribuição da riqueza. Só ele seria o grande perdedor com o aumento dos salários.
Mas é o grande capital o ganhador porque tem um governo que o sustenta.
Cabe aos trabalhadores, em ano eleitoral, cortar o mal pela raiz.
Fonte: http://subterraneodaliberdade.blogs.sapo.pt/35419.html
Opinião: Vitória do Sim no Referendo Venezuelano - 16Fev2009 21:39:46
Ao contrário do que os políticos e comunicação social ao serviço do capital nos quer fazer crer, a vitória do SIM no referendo da emenda constitucional é um passo importante para a defesa dos interesses do povo Venezuelano.
A vitória do Sim não dá o poder a Hugo Chavez por tempo indeterminado como andam a proclamar os capitalistas, dá sim a possibilidade de Hugo Chavez candidatar-se as vezes que entender. Por isso, caso o povo Venezuelano, assim o deseje ele até poderá abandonar o cargo já nas próximas eleições.
Hugo Chavez é essencial ao projecto revolucionário em curso na Venezuela, e a vitória do Sim significa que o povo Venezuelano reconhece a importância do seu papel e acima de tudo deseja um outro rumo para aquele país que passa pela rejeição do sistema capitalista dominante.
Curiosamente, os capitalistas na sua cegueira são quem mais reconhecem o valor de Chavez e o futuro da revolução.
Ao afirmarem, alarmados, que o "Ditador Venezuelano vai se perpetuar no poder..." significa que para o capital a palavra Ditador é sinónimo de homem que defende políticas contrárias ao interesse do capital, visto que, Chavez tem ido a escrutínio popular mais do que qualquer lidere Europeu ou Americano. O ataque pessoal é a demonstração da importancia de Chavez.
Ao acharem que se vai perpetuar no poder reconhecem o apoio do povo ao Hugo Chavez e o futuro da Revolução.
Alerto, no entanto, que a direita não vai aceitar democraticamente este resultado, pois o capital só é democrata quando vinga as políticas que o sustentam, irão promover acções de desestabilização económica e social na Venezuela de forma a provocar dificuldades ao crescimento da revolução e irão, qui ça, promover tentativas de liquidar pessoalmente Chavez de forma a curtar o mal pela raiz.
Apesar de haver muito caminho a percorrer a vitória do Sim no referendo é um passo importante que pode tornar a luta dos Venezuelados cada vez mais possivel.
Outras reacções:
Rodriguez Araque: "O Povo deu uma resposta..."
Fonte: http://subterraneodaliberdade.blogs.sapo.pt/35203.html
Opinião: Lutar! Lutar Sempre! - 13Fev2009 00:34:44
Fonte: http://subterraneodaliberdade.blogs.sapo.pt/35028.html
Sugestão de Leitura - 06Jan2009 22:25:39
Partido Comunista de Israel condena ataques Israelitas
Dilemas militares, dilemas eleitorais
A política de campanha israelita de extermínio
É tempo de pagar os créditos aos trabalhadores
Raul Castro: "Estes 50 anos foram de resistência e firmeza do povo"
Fonte: http://subterraneodaliberdade.blogs.sapo.pt/34719.html
Cuba - 03Jan2009 20:27:09
Para comemorar os 50 anos da Revolução Cubana, que pôs fim à ditadura de Fulgência Baptista, faço referência a alguns textos sobre Cuba e a Revolução.
Em busca de um socialismo mais profundo - Brasil de Fato
Em entrevista ao Brasil de Fato, o diplomata reconhece (e celebra) o fato de que os cubanos tenham inúmeras críticas aos dirigentes e aos rumos do regime, mas, sempre, com um espírito de aprimoramento. “O cubano sempre acreditou na necessidade de renovação constante. Em Cuba, começamos a renovação em 1959, e não parou. Continua mudando, aperfeiçoando. E vamos seguir assim”. Leia, a seguir, trechos da entrevista.
Essas foram as palavras ditas por Fidel Castro ao povo no dia em que entrou em Havana, em 8 de janeiro de 1959. Muitos não imaginaram o imenso desafio que teriam perante si.
Jorge Castro: Para analisarmos como se chega à revolução e o que significam estes 50 anos, recordemos que Cuba era uma colónia espanhola e que os patriotas cubanos lutavam há muito pela independência. Esse projecto foi sendo frustrado quer pela incapacidade de os revolucionários unirem as suas forças, quer pelo acordo celebrado entre os EUA e Espanha, país que entrega o território aos norte-americanos. Cuba passa a ser uma colónia. O embaixador dos EUA em Havana era o pró-cônsul e colocava na presidência diferentes títeres defensores dos interesses de Washington.
Só em 1953 Fidel é capaz de congregar diferentes tendências em torno do objectivo da autodeterminação. O assalto ao quartel de Moncada, que era naquela época a unidade militar mais forte na parte Oriental da ilha, fracassou por diversos erros. Um número importante de revolucionários foi morto e outros presos e julgados. No processo, Fidel, então um jovem advogado, converte a sua defesa – publicada com o título «A história me absolverá» - num libelo acusatório ao regime e na promoção da revolta popular, caracterizando não só o contexto histórico que se vivia, mas apontando também o programa revolucionário. Depois da libertação de Fidel, reaviva-se a via insurreccional como a única capaz de derrotar a ditadura de Fulgêncio Baptista, e com forças militares muito menores venceram, a 1 de Janeiro de 1959.
Em toda este percurso, vemos a concretização do pensamento e luta de José Martí, o qual, no grupo de revolucionários liderado por Fidel, se encontra mais amadurecido no sentido marxista da construção do socialismo como única solução para um país pequeno e subdesenvolvido; para um país com 70 por cento de população rural a viver em condições extremamente precárias; para um país monoprodutor, que só exportava açúcar, e para os EUA, e importava tudo o que necessitava. É, portanto, com a revolução que agora festejamos que se alcança a verdadeira independência.
Foram necessários apenas alguns meses para que os EUA, com o início da reforma agrária e com o combate aos principais problemas sociais – desemprego, analfabetismo, prostituição, desigualdade e injustiça social, discriminação racial, etc. –, se dessem conta de que aquele era um verdadeiro projecto social contrário aos seus interesses.
Nessa altura, Fidel vai aos EUA e, em declarações públicas, diz que a revolução em Cuba não é de carácter comunista. Foi uma manobra para ganhar tempo até ao primeiro embate com o imperialismo?
Os primeiros passos da revolução foram no sentido de dar resposta aos problemas sociais concretos que já referi, bem como impulsionar a democratização da terra, controlada pelos grandes agrários. E é esta a questão fundamental que inicia o conflito, porque a partir do momento em que os EUA deixam de controlar a matéria-prima açúcar, vêem os seus interesses afectados.
É pouco antes da invasão da Baía dos Porcos, desencadeada pelos EUA, em Abril de 1961, que Fidel proclama o carácter socialista da revolução. Lembremos que o povo foi convocado a defender a pátria face à intervenção e, simultaneamente, a ratificar a opção socialista, que naquele contexto significava a construção de sistemas de ensino e saúde gratuitos e universais, significava o combate às injustiças, à pobreza, à exclusão e aos flagelos sociais. Para mais, Cuba era há décadas submetida a campanhas ideológicas anticomunistas. Teria sido um erro crasso proclamar o carácter da revolução sem que o povo tivesse sequer consciência do que significava o socialismo. Ou seja, quando o povo cubano enfrentou a invasão em Playa Gíron, então sim, estava já em condições de proteger também o carácter do processo de transformação social em curso.
Um processo de permanente adaptação
Lénine disse que jamais pode ser derrotado um povo em que os operários e os camponeses, na sua maioria, sabem, sentem e vêem que defendem o poder dos trabalhadores. Isso revela-se na resistência do povo cubano face ao imperialismo e na capacidade de Cuba superar com êxito as diversas etapas revolucionárias?
Penso que sim. A revolução é um processo de permanente transformação, com momentos de avanço e refluxo.
Muitos se questionam se no actual contexto ocorrerão mudanças drásticas. É importante compreender que Cuba está em permanente adaptação ao contexto histórico em que se insere. Qualquer cidadão estrangeiro que visite o país ouve nas ruas opiniões, comentários, mal-estares, o que para nós é natural, mas quem está de passagem pode ficar com uma apreciação errada.
Devemos ainda ter em conta que 70 por cento da população cubana não conheceu o capitalismo, ou seja, nasceu e cresceu já em fase revolucionária, pelo que todo um sistema de justiça social, de igualdade e dignidade é para esta camada algo adquirido, logo, como geração, tem um outro nível de exigência. Isso é positivo, porque no dia em que perdermos a capacidade de reivindicar e querer mais, estancamos. Ou seja, a inconformidade é um impulso para melhorar o sistema social e democrático, a economia e o desenvolvimento das forças produtivas.
Os cubanos não estão preparados para seguir outro caminho que não seja o socialismo, ou seja, não estão preparados para perderem tudo o que hoje têm assegurado.
Em 1975, a Constituição cubana foi aprovada por mais de 95 por cento da população…
E posteriormente foi referendado por números semelhantes o carácter irrevogável do socialismo. É bom que as pessoas que vivem em países tão desenvolvidos, mas ao mesmo tempo tão desinformados, entendam que o referendo em Cuba é igualmente secreto, com todos os requisitos normais das eleições que conhecem, portanto, o carácter irrevogável do socialismo resulta da livre vontade popular.
Conquistas incomparáveis
Cuba alcançou grandes conquistas civilizacionais, quer ao nível da formação educacional e cultural do seu povo, quer do ponto de vista da saúde, com um dos melhores sistemas do mundo. Garantiu a sua capacidade alimentar e o emprego. Alcançou um nível de participação política muito superior ao dos demais países. Estas conquistas projectam Cuba para o futuro?
Não só projectam e garantem o futuro de Cuba, como se encontram submetidas a uma permanente melhoria e afinação da sua eficiência. O caminho faz-se de êxitos, mas também de erros, aliás, como toda a obra realizada pelo ser humano.
Consideremos o que Cuba era e o que é hoje. No ano de 1959 só produzia açúcar e comprava tudo o resto. É a revolução que industrializa o país, que avança nos vários sectores da economia, mesmo com o bloqueio e com os custos que ele representa. Sem o bloqueio, colocávamos o que produzíamos a 90 milhas de distância, mas depois da sua imposição passámos a ter que escoar a nossa produção para países que ficavam a 90 semanas de barco.
O desaparecimento das relações de comércio justas com os países socialistas foi para nós um rude golpe que deu início à crise dos anos 90.
Cuba exportava para a Europa de Leste açúcar, níquel, citrinos e outros produtos a preços vantajosos no âmbito da cooperação entre países socialistas. Com o desaparecimento destes, Cuba foi seriamente afectada. Como superaram a situação?
Era um mecanismo chamado compensador. Se o valor do petróleo era 40 e os citrinos 30, quando o petróleo subia então os citrinos, por exemplo, subiam na mesma proporção. Era uma relação de intercâmbio visando o desenvolvimento e a cooperação, contrária às relações comerciais no sistema capitalista. Sem isso, o nosso Produto Interno caiu mais de 35 por cento.
Só para que se tenha ideia, comprávamos à União Soviética aproximadamente 10 milhões de toneladas de petróleo, e nos primeiros anos da década de 90 passámos a ter que viver com 3 milhões de toneladas. Isto motivou cortes no fornecimento de electricidade. A indústria tinha fortes restrições para laborar.
Perante tal situação, aqui mais que resumida, o fundamental era preservar o objectivo principal do processo revolucionário, ou seja, o desenvolvimento social, mais que o desenvolvimento económico. Portanto, mesmo no contexto da crise mantivemos todas as componentes do projecto social. As escolas não podiam ser reparadas mas mantivemo-las abertas; os hospitais tinham dificuldades e carências, mas não só continuaram abertos como melhorámos os índices de saúde da população.
Apesar dos graves danos sociais, económicos, políticos e ideológicos que o desmembramento da URSS provocou em Cuba, mantivemos as conquistas revolucionárias e reestruturámos a economia, apostando no turismo, permitindo a entrada da moeda livremente convertida, investindo na biotecnologia e na formação de cientistas. Tratava-se de minimizar os efeitos do fim do comércio justo com os países do Leste da Europa e do bloqueio norte-americano que se agudizou.
Muitos amigos questionam-se porque é que em Cuba foram introduzidos elementos do sistema económico capitalista; porque é que surgiram fenómenos sociais, injustiças e desigualdades que antes da década de 90 haviam sido erradicados.
Tomemos o exemplo de um acidente automóvel donde sai um homem em perigo de vida, com um braço e uma perna partidos. O que faríamos, tratávamos da perna e do braço antes de garantir que o homem sobreviveria? É óbvio que não. Pois o que fizemos foi garantir a sobrevivência da revolução preservando as conquistas sociais. Para mais, e porque faz parte da democracia que temos em Cuba, todas as medidas foram discutidas e aprovadas em amplas discussões com os trabalhadores e o povo.
Essas medidas criaram discrepâncias de rendimento entre quem trabalha no turismo e quem não trabalha, provocaram a migração do meio rural para as zonas urbanas. Surgiu uma camada interessada nos mecanismos capitalistas e nos seus proveitos. Esse processo pode influenciar e mobilizar forças anti-socialistas em Cuba?
Para abordarmos a questão da introdução dos mecanismos capitalistas temos que considerar que Cuba está defronte da maior potência económica mundial, que esta lhe impõem um férreo e criminoso bloqueio. Dito isto, acrescento que mesmo os novos elementos introduzidos na economia - os quais não podem ser todos definidos como capitalistas - atraem vícios e relações próprias do capitalismo.
Nos anos 90, Cuba passa a acolher capital estrangeiro em sectores onde não podia investir. No turismo, recebíamos por ano cerca de 300 mil turistas, quase todos da Europa de Leste. Hoje recebemos cerca de 2 milhões. Tudo isto introduziu desigualdade, corrupção, indisciplina, prostituição, falta de rigor e exigência no trabalho, desigualdade social entre o engenheiro que ficava na mina ganhando menos que aquele que passava a ser porteiro num hotel.
As medidas que tomámos, não necessariamente todas de cariz capitalista, repito, em certa medida desordenaram a revolução do ponto de vista laboral, da igualdade social, da direcção produtiva, mas ou fazíamo-lo ou a revolução ruía.
A corrupção, um tema muito abordado, surgiu, obviamente. Mas não é a corrupção institucional, de governos inteiros, não é a corrupção de milhões. É um fenómeno limitado, de tostões. A palavra é a mesma, mas não comparemos os casos de enriquecimento ilícito nos países capitalistas com os do administrador ou do trabalhador de uma fábrica em Cuba que rouba quatro galões de tinta!
Na medida em que a economia vá recuperando, assim vamos dando resposta aos fenómenos malignos, às injustiças. Quando o salário tiver um real valor aquisitivo, quando o trabalhador não estiver preocupado se o seu salário é suficiente para garantir as necessidades básicas, como acontecia nos anos 80, então a corrupção, a prostituição e outros flagelos desaparecerão. Essa recuperação de valores, se quiseres, não é tarefa que se cumpra em dois ou três anos, leva tempo e exige esforço. É o que estamos a fazer.
Por outro lado, hoje o principal sector da economia cubana já não é o turismo, mas a biotecnologia. O turismo foi a alavanca, mas a biotecnologia, com direcção e investimento durante o período especial, foi ganhando terreno e assume-se como o maior contribuinte da economia cubana.
A construção civil, a petroquímica ou a refinação de petróleo são também sectores com grande avanço. Actualmente, mais de 50 por cento do petróleo que se consome em Cuba é de origem nacional e estamos a explorar novas zonas.
Respostas necessárias
Fazem parte dessa normalização da economia e das relações sociais os apelos feitos pelo presidente Raúl Castro de reforma do sector cooperativo, do regresso ao trabalho e de estímulo à produtividade, do rigor na definição de metas, de reformas na estrutura produtiva e na direcção da produção?
O discurso de 26 de Julho de Raúl Castro tem antecedentes. Dois ou três anos antes, Fidel, intervindo numa universidade, sintetizou a situação do país, convocou a juventude a fazer parte do futuro e apelou ao povo para que reflectisse sobre o rumo que havíamos seguido e como, a apresentar soluções para o caminho a seguir e como.
A discussão, dirigida pelo movimento operário e pelo Partido Comunista, decorreu junto dos camponeses, dos estudantes, dos operários, das forças armadas, enfim, junto de todos os sectores da população. Participaram mais de 3,5 milhões de pessoas e recolheu-se mais de 1 milhão de propostas e intervenções que questionavam a direcção do país, a televisão, o sistema educacional e de saúde, o trabalho e os salários, tudo o que possas imaginar foi colocado em causa e discutido. Ninguém colocou em causa o socialismo como projecto. Foram reuniões muito críticas. Nelas descobriu-se problemas locais que tinham soluções locais, mas que por falta de interesse dos quadros, por burocracia, por indisciplina não eram resolvidos. Essa base de dados, chamemos-lhe assim, definiu a linha geral e estratégica abordada por Raul Castro nesse discurso.
Recentemente foi publicada a lei da segurança social e do trabalho, norma que não resulta do debate parlamentar, dos acordos entre a bancada de tal partido com a de tal outro. Não é assim que funciona em Cuba. Apresenta-se ao povo o projecto e este discute, dá opinião, propõe alterações. O mesmo aconteceu com a reforma da terra, ou seja, as parcelas não cultivadas, são dadas a quem tem condições para as trabalhar.
Ontem [23 de Dezembro], o parlamento cubano reuniu e aprovou uma lei que obriga os deputados a responder às questões dos seus concidadãos, aliás, na filosofia do nosso sistema de democracia participativa. Essa componente funcionava insuficientemente. Se a resposta é que tal ou tal problema ainda não se pode resolver, é isso mesmo que deve ser dito e explicado em reuniões com o povo. É no fundo todo um processo longo, anterior à doença de Fidel, que está agora numa fase mais avançada de desenvolvimento.
Temeu uma invasão dos EUA quando a saúde de Fidel se deteriorava?
Horas depois de o povo cubano ter sido informado sobre o estado de saúde de Fidel, os comandos especiais que os EUA têm na Florida foram mobilizados. A nossa reacção foi igualmente mobilizar 1 milhão de homens. O cenário de uma intervenção militar norte-americana não se pode descartar, porém julgo que predomina a certeza de que tal opção seria um erro grave.
Não digo que tenhamos condições militares para impedir uma invasão, o que para eles não é novidade, mas também sabem que os cubanos não se rendem, ou seja, Cuba não pode ser tomada de assalto.
Recentemente foi votada nas Nações Unidas uma nova condenação ao bloqueio norte-americano contra Cuba. O mundo condena as leis Torricelli e Helms-Burton, o Plano Bush. Poderá estar para breve o fim do bloqueio?
Os EUA declararam uma guerra contra Cuba, uma guerra que passa a categoria de bloqueio, que procura castigar e vencer o povo pelas carências. O bloqueio teve ao longo de mais de 45 anos altos e baixos, porém atingiu o ponto máximo nos mandatos de George W. Bush, que limitou as viagens para Cuba, as remessas dos emigrantes para os seus familiares e deu milhões para o terrorismo. Dados que se podem encontrar na página de Internet do Departamento de Estado mostram que a administração norte-americana gasta mais dinheiro, meios e tem mais gente a trabalhar no cumprimento do bloqueio do que na chamada «guerra ao terrorismo». Isto diz tudo.
Maior agressividade contra Cuba, só pela via armada. Vamos ver o que muda a 20 de Janeiro na Casa Branca.
Tem esperança que mude alguma coisa com a administração Obama?
Tenho esperança na persistência dos cubanos.
Mas Raúl Castro disse que estava disponível para dialogar…
Como o disse Fidel durante décadas, essa não é uma disposição nova por parte de Cuba. A normalização das relações é não só do nosso interesse como o mais elementar entre estados, mas em igualdade de condições e soberania. Perguntaram isso a Raúl – aliás uma muito conhecida ex-correspondente da CNN em Cuba –, e ele respondeu que se o senhor Obama tem interesse em falar, nós estamos dispostos fazê-lo no dia e no lugar que indique. Se não tem interesse, pois não falamos. Foi isto que disse. Raúl disse ainda que acabou o tempo dos «gestos», isto é, quando falavam de Cuba e das negociações em torno do bloqueio pedem «gestos». Cuba já fez muitos «gestos» e nunca recebeu nenhum. Acabaram os gestos unilaterais.
Num cenário de conversações, para além do bloqueio e do fim do patrocínio do terrorismo, cabe a libertação dos cinco patriotas cubanos presos nos EUA?
Não tenho ideia dos pontos que seriam discutidos, como imaginas, mas o bloqueio só tem um caminho que é terminar. Foram os EUA que nos sancionaram, por isso Cuba não tem nada que negociar sobre o bloqueio.
Sobre os chamados presos políticos, tema muito abordado na Europa, estão detidos porque violaram leis existentes em qualquer Estado, é bom que isto fique claro. Em Cuba ninguém é detido por delito de opinião. Basta ver na imprensa portuguesa as declarações de «dissidentes» cubanos que vivem tranquilamente em suas casas.
Neste mundo desenvolvido que diz defender os direitos humanos, vejo todos os dias a polícia bater nos trabalhadores que reclamam os seus salários. Em Cuba existem 120 correspondentes estrangeiros que se movem por todo o país, com as máquinas fotográficas prontas a captar a primeira imagem de uma manifestação reprimida com cães e gás lacrimogéneo, todavia nunca conseguiram a tão almejada foto. E imagina quanto não receberia o jornalista que a conseguisse.
Porque não falam dos cinco jovens que estão presos nos EUA, esses sim, presos políticos?
O partido tem o papel dirigente da revolução e define-se como o partido de toda a nação e de todo o povo, e não como a sua vanguarda. O que é que isso quer dizer exactamente no caso cubano?
O que garante o êxito da revolução cubana é a unidade de todo o povo. O Partido Comunista foi desde sempre o partido da nação cubana, ou seja, é o partido da nação e de todo o povo no sentido de ser o garante da continuidade da revolução. Os seus militantes e quadros – que têm que ser um exemplo como trabalhadores e cidadãos, que não gozam de privilégios –, são a vanguarda.
O Partido Comunista não é um partido eleitoral, é antes a exigência, a inconformidade. Perigoso seria se o partido se desligasse das massas, mas não é isso que acontece, pelo contrário, é cada vez mais uma referência de acção e confiança para os cubanos.
Podemos augurar 50 anos mais à revolução cubana?
Pelo menos mais 50 anos. Não vamos renunciar ao socialismo e estamos sempre mais convictos de que não existe outra alternativa, disso podem estar seguros
Fonte: http://subterraneodaliberdade.blogs.sapo.pt/34514.html









