Subterrâneos

Dead Can Dance - 21Nov2009 22:36:59

Toward the Within - "Rakim" 

 

 

Yulunga

 

 

 

 

Dead Can Dance Página Oficial

 

 

 DCD 1981 - 1998
Dead Can Dance
A Alma feita Música

Desde a sua criação em 1981 até ao final da década passada, os australianos de origem anglo-irlandesa "Dead Can Dance" mudaram o panorâma da música alternativa feita no velho continente. Colheram e reiventaram influências da folk, da pop, da música antiga e tradicional dos quatro cantos do mundo. Ao todo, oito discos intemporais.

 

Por João Maia

Lisa_Brendan_1.jpg (7403 bytes)
Brendan Perry e Lisa Gerrard

O grupo Dead Can Dance consiste essencialmente num duo composto por Lisa Gerrard e Brendan Perry, dois australianos, ambos de origem anglo-irlandesa, que no início dos anos 80 se juntaram para dar origem a um dos agrupamentos musicais mais emblemáticos da música alternativa do final do século XX. E realmente é impossível catalogar a música produzida pelos Dead Can Dance, a não ser como alternativa, o que é sempre um pouco vago, tal não é a quantidade de influências que desfilaram ao longo de 17 anos de carreira, 8 discos de originais e inúmeras colaborações com outros artistas.

 

Elementos típicos da música pop, folk, música medieval, música de origem árabe, misturam-se constantemente com ritmos tribais, ou com música de câmara, de modo a criar ambientes únicos, plenos de espritualidade, plenos de alma. E é precisamente na busca da alma escondida em cada instrumento musical que se inspira o nome do grupo. Como diz Brendan Perry, "o significado por detrás do nome tem a ver com a procura da vida inerente aos instrumentos musicais, que por si só são objectos inanimados, mortos".

 

 

O Início

 

Brendan Perry e Lisa Gerrard conheceram-se em Melbourne, na Austrália, numa altura em que ambos lutavam pela sobrevivência musical dando concertos em clubes locais. Lisa chegou mesmo a confessar que a dificuldade era muito grande, especialmente porque o público nem sempre estava aberto ao tipo de experiência musical que os seus concertos proporcionavam.

 

Desde que se encontraram pela primeira vez, a empatia entre ambos foi quase imediata, como explica Lisa: "Eu reconheci que ele era brilhante no momento em que o vi tocar. Brendan é extremamente inteligente, lúcido e tem uma fantástica abilidade de comunicar através da música". E foi em parte devido à inteligência musical de Brendan Perry que os Dead Can Dance seguiram pelos caminhos que hoje, mesmo após a sua separação, os tornam num grupo de culto, que conquistou uma legião de fãs pelo mundo inteiro. Segundo Lisa, "Brendan explorava todo o tipo de coisas. Era um percussionista e um antropologista de muitas musicalidades e eu estava bastante receptiva às suas descobertas".

 

Mas se grande parte da estrutura e textura musical do grupo era providenciada pelas descobertas de Brendan Perry, Lisa Gerrard providenciava a alma, a espiritualidade. Apesar de tocar alguns intrumentos, entre os quais o Yang T'chin, um dulcimer chinês com idade ancestral, a característica que a tornou famosa foi a sua voz magnífica. Ou melhor, não só a voz mas essencialmente a forma como a utiliza. "A minha voz é o meu principal instrumento", explica a cantora, "provavelmente considerar-me ia uma cantora, mas não acredito que o seja. Não sei se há palavras para descrever o que faço - eu emito sons. Eu dou expressão a algo em que acredito e se calhar é por causa disso que outros podem também acreditar".

 

Lisa não canta com a voz, mas sim com a alma. As palavras que entoa, na maior parte dos casos, não são em nenhuma língua conhecida, mas sim a tradução em sons dos seus sentimentos. E é impossível não nos deixarmos levar, seduzir, mesmerizar por esses sentimentos, por vezes imponentes e majestosos, por vezes sombrios e melancólicos, por vezes de uma beleza extraodinariamente delicada que é impossível traduzir por palavras.

 

Londres e a 4AD

 

Lisa e Brendan trabalharam inicialmente num restaurante libanês em Melbourne para conseguirem dinheiro para se mudarem para Londres, uma vez que se sentiam algo frustrados com a cena musical de Melbourne.

 

Essa ligação com uma cultura árabe, a juntar ao facto de Lisa ter crescido num bairro de emigrantes gregos e turcos, foi mais um contributo para moldar influências que os músicos souberam incorporar no seu trabalho.

 

Depois de conseguir dinheiro, o duo mudou-se para Londres, onde esperava que a aceitação fosse melhor, porém no início a sorte continuou sem lhes sorrir.

 

A certa altura conheceram Ivo Watts-Russel, líder de uma pequena produtora independente (4AD), a quem Brendan entregou uma demo. Apesar de ter gostado do que ouviu essencialmente pela originalidade, a verdade é que Ivo também não tinha recursos para apostar no duo.

No entanto um ano depois chamou-os e a partir dessa altura Lisa e Brendan começaram a trabalhar para a 4AD, onde se tornaram o grupo de maior sucesso.

 

Álbuns

 

 

Entre 1983 e 1998 os Dead Can Dance editaram oito discos, um dos quais gravado ao vivo. Desde a sua formação até à sua extinção, este duo percorreu diversos estilos e influências musicais, editando trabalhos muito diferentes entre si.

 

Dead Can Dance
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Em 1983 lançaram o seu primeiro disco 'Dead Can Dance', que incluia uma colecção de temas que tinham composto nos quatro anos anteriores. Este álbum tinha como capa uma máscara ritual da Nova Guiné que quase acabou por se tornar num logotipo para a banda. E já neste disco se notava a componente filosófica que acabou por moldar o trabalho que a banda apresentou em anos porteriores.

 

Slpeen & Ideal
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

No ano seguinte lançaram 'Spleen & Ideal', onde abandoram instrumentos como as guitarras a favor de outros como violoncelo e trombones. Segundo Brendan Perry, todo o disco se baseia numa ideia do século XIX na qual os elementos mais negros da natureza humana, como a inveja ou a intolerância, aparecem ligados com a noção de ideal, embora aparentemente estejam em contradição. Não é de estranhar, portanto, que as músicas abordassem temas como a verdade e a ilusão, ou a dúvida e a fé, e a procura incessante da perfeição, do
ideal.

 

Within the Realm of Dying Sun
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

A partir daqui os Dead Can Dance comçaram finalmente a ter aceitação por parte do público e, depois de uma tour em 1986, lançaram o álbum 'Within the Realm of a Dying Sun' no ano seguinte. Este álbum, onde os músicos optaram por separar as responsabilidades ao nível da voz, cabendo a cada um cantar num conjunto de temas, é talvez um dos melhores que o duo produziu. Nele pontifica um dos mais adorados temas da banda, denominado 'Cantara'.

 

Serpent's Egg
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Continuando a beber da influência da música do médio oriente, o grupo lançou depois 'The Serpent's Egg', um disco no qual foram abandonados os elementos românticos para dar lugar a temas mais atmosféricos. Foi assim que a indústria cinematográfica acabou por se aperceber do potencial da banda, e no fim de 1988 o duo compôs a sua primeira banda sonora para o filme 'El Nino de La Luna' do espanhol Agustin Villarongas.

 

Aion
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Em 1990, foi lançado 'Aion', o quinto álbum da banda, cujas influências eram marcadamente renascentistas, embora não fosse um revisitar desse período, mas sim uma exploração da forma como a música pode transcender o próprio tempo. O álbum continha instrumentos antigos, renascidos para o som dos Dead Can Dance, tal como a sanfona, bem como alguns elementos barrocos e cantos gregorianos.

 

Into Labyrinth
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Seguidamente o duo escolheu um conjunto dos seus temas para figurarem numa colectânea, denominada 'A Passage in Time', e em Setembro de 1993 lançaram aquele que muitos consideram o melhor álbum dos Dead Can Dance, 'Into the Labyrinth'. Segundo Brendan Perry, "este é um álbum onde se nota um amor pela música primitiva do mundo, bem como por elementos naturais como por exemplo, a madeira, ou o canto de aves".

Toward the Within
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Em 1994 o grupo lançou o seu único álbum ao vivo 'Toward the Within' que, embora fosse uma gravação de um concerto, continha uma série de temas inéditos. Aliás, a este respeito, a opinião do produtor Ivo Watts-Russel é que "é uma pena que não tenham sido gravadas mais actuações ao vivo da banda. O seu trabalho não é representado em todo o seu potencial nos álbuns de estúdio, uma vez que muitas vezes o grupo escrevia canções propositadamente para os concertos".

 

Spiritchaser
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

No ano seguinte o excesso de trabalho que o duo produzia levou-os a começarem cada um trabalhos a solo. Lisa lançou 'The Mirror Pool' ao passo que Brendan começou a compilar um conjunto de temas que anos depois haviam dar origem ao álbum 'The Eye of the Hunter'. Depois voltaram a juntar-se para produzir 'Spiritchaser' onde mais uma vez se desviaram das influências do seu último álbum para incorporarem novas influências, desta vez da América do Sul e da sua Austrália natal. Brendan diz que "neste álbum decidimos impor limites a nós próprios ao nível dos instrumentos. Começámos com uma báse puramente rítmica e desenvolvemos o resto a partir daí".

 

A Separação

 

'Spiritchaser' havia de ser o último trabalho dos Dead Can Dance juntos. O duo voltou a juntar-se na Irlanda e começou inclusive a preparar um próximo trabalho, porém algumas pequenas divergências entre Lisa e Brendan impediram a sua continuidade como banda.

 

Desde então tanto um como o outro elemento têm estado bastante activos, embora Brendan tenha mantido desde aí um certo 'low profile', lançando apenas o álbum 'Eye of the Hunter' e dando inúmeros workshops dos instrumentos que domina. Ao invés, Lisa tem estado muito mais exposta desde então, por virtude da sua participação em algumas bandas sonoras.

 

Primeiro contribuiu com dois temas para o filme 'Heat' de Michael Mann. Depois juntou-se com outro australiano, o percussionista Pieter Bourke (dos Soma) para lançar o álbum 'Duality' e escrever a banda sonora do filme 'The Insider' também de Michael Mann. Essa banda sonora acabou por ser nomeada para um globo de ouro, mas foi com a banda sonora de 'Gladiator', filme de Ridley Scott (que venceu o óscar de melhor filme em 2001), composta de parceria com Hans Zimmer que atingiu mais notoriedade.

 

As palavras de Zimmer definem na perfeição Lisa: "quando ela está por perto, é bom que tenhamos material de gravação pronto, porque nunca se sabe que maravilhas a sua voz nos vi oferecer. Ela desperta sentimentos muito profundos".

 

Não se pode dizer que após a separação os Dead Can Dance deixaram de existir. Lisa e Brendan, nos seus trabalhos a solo, continuam a explorar novos caminhos tal como o faziam quando estavam juntos. E a influência que deixaram na música alterantiva será algo que pedurará sempre, para bem de quem gosta de apreciar boa música e não se deixa levar por preconceitos.



Fonte: http://subterraneodamusica.blogs.sapo.pt/3713.html

Malvela: Grupo de Cantara - 14Jul2009 22:39:42

 

Malvela

 

Ás veces as aldeas perden a voz que lles é própria. Dende Sanguiñeda, Malvela é unha xanela aberta a través da que saen limpos e frescos eses cantos vellos e a forza natural destas mulleres empeñadas en non deixalos esmorecer, en encher de alegría ese anaquiño de Mos que sempre precisou das súas voces e da súa presenza. É este un grupo de mulleres de distintas xeracións preocupadas por rescatar os cantos vellos da súa comarca, perseverando na teima de non deixalos esmorecer e de arquivar todo o patrimonio musical e etnográfico da bisbarra de Mos.

 

Malvela sitio oficial

 

 

 

 

 

 



Fonte: http://subterraneodamusica.blogs.sapo.pt/3449.html


Do que um homem é capaz - José Mário Branco - 18Fev2009 23:33:32

 

Do que um homem é capaz

As coisas que ele faz

P'ra chegar aonde quer

É capaz de dar a vida

P´ra levar de vencida

Uma razão de viver

 

A vida é como uma estrada

Que vai sendo traçada

Sem nunca arrepiar caminho

E quem pensa estar parado

Vai no sentido errado

A caminhar sozinho

 

 

Vejo a gente cuja a vida

Vai sendo consumida

Por miragens de poder

Agarrados alguns ossos

No meio dos destroços

Do que nunca vão fazer

 

Vão poluindo o percurso

Co'as sobras do discurso

Que lhes serviu pr'abrir caminho

À custa das nossas utopias

Usurpam regalias

P´ra consumir sozinho

 

Com políticas concretas

Ímpões essas metas

Que nos entram casa dentro

Como a Trilateral

Co'a treta liberal

E as virtudes do centro

 

No lugar da consciência

A lei da concorrência

Pisando tudo p´lo caminho

P´ra castrar a juventude

Mascaram de virtude

O querer vencer sozinho

 

Ficam cínicos, brutais

Descendo cada vez mais

P´ra subir cada vez menos

Quanto mais o mal se expande

Mais acham que ser grande

É lixar os mais pequenos

 

Quem escolhe ser assim

Quando chegar ao fim

Vai ver que errou o seu caminho

Quanda a vida é hipotecada

No fim não sobra nada

E acaba-a sozinho

 

Mesmo sendo poderosos

Tão fracos e gulosos

Que precisam do poder

Mesmo havendo tanta gente

P´ra quem é indiferente

Passar a vida a morrer

 

Há principios e valores

Há sonhos e há amores

Que sempre irão abrir caminho

E quem viver abraçado

À vida que há ao lado

Não vai morrer sozinho

E que morrer abraçado

À vida que há ao lado

Não vai viver sozinho

 

José Mário Branco - Música do album Resistir é Vencer

 



Fonte: http://subterraneodamusica.blogs.sapo.pt/2854.html




Chico Buarque: Construção - 01Jan2009 23:27:22

Para todos trabalhadores que perderam a vida no local de trabalho. 

 

 

 



Fonte: http://subterraneodamusica.blogs.sapo.pt/2025.html

Silvio Rodriguez - 28Jan2008 20:04:28

La Maza

 

Playa Giron
Ojala
Mariposas


Fonte: http://subterraneodamusica.blogs.sapo.pt/1669.html

Fausto - 24Jan2008 22:36:51

 

 

 

 

 Por este rio acima


Por este rio acima
Deixando para trás
A côncava funda
Da casa do fumo
Cheguei perto do sonho
Flutuando nas águas
Dos rios dos céus
Escorre o gengibre e o mel
Sedas porcelanas
Pimenta e canela
Recebendo ofertas
De músicas suaves
Em nossas orelhas
leve como o ar
A terra a navegar
Meu bem como eu vou
Por este rio acima

Por este rio acima
Os barcos vão pintados
De muitas pinturas
Descrevem varandas
E os cabelos de Inês
Desenham memórias
Ao longo da água
Bosques enfeitiçados
Soutos laranjeiras
Campinas de trigo
Amores repartidos
Afagam as dores
Quando são sentidos
Monstros adormecidos
Na esfera do fogo
Como nasce a paz
Por este rio acima

Meu sonho
Quanto eu te quero
Eu nem sei
Eu nem sei
Fica um bocadinho mais
Que eu também
Que eu também
meu bem

Por este rio acima
isto que é de uns
Também é de outros
Não é mais nem menos
Nascidos foram todos
Do suor da fêmea
Do calor do macho
Aquilo que uns tratam
Não hão-de tratar
Outros de outra coisa
Pois o que vende o fresco
Não vende o salgado
Nem também o seco
Na terra em harmonia
Perfeita e suave
das margens do rio
Por este rio acima

Meu sonho
Quanto eu te quero
Eu nem sei
Eu nem sei
Fica um bocadinho mais
Que eu também
Que eu também
meu bem

Por este rio acima
Deixando para trás
A côncava funda
Da casa do fumo
Cheguei perto do sonho
Flutuando nas águas
Dos rios dos céus
Escorre o gengibre e o mel
Sedas porcelanas
Pimenta e canela
Recebendo ofertas
De músicas suaves
Em nossas orelhas
leve como o ar
A terra a navegar
Meu bem como eu vou
Por este rio acima

Fausto, in "Por este rio acima"

 

 

 

 

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Texto inspirador



"Continuando nosso caminho por este rio acima, tudo quanto a vista alcançava era embarcações com toldos de seda e muitos estandartes, guiões e bandeiras e varandas pintadas de diversas pinturas. Ali se trocam e oferecem todas as sortes de caças e carnes quantas se criam na terra, que nós andávamos como pasmados como requeria tão espantosa e quase incrível maravilha. Noutras embarcações vêm grande soma de amas
para crianças enjeitadas e outras, pelo tempo que cada um quiser, mulheres velhas que servem de parteiras dando mézinhas para botarem crianças, e fazerem parir ou não parir. Noutros barcos há homens honrados que servem de correctores de casamentos e consolam mulheres enlutadas por morte de maridos e filhoes e outras coisas desta maneira.
Em barcaças de muitas cores, com invenções de muitos perfumes e cheiros muito suaves vêm homens e mulheres tangendo em vários instrumentos para darem música a quem os quiser ouvir. Na terra do labirinto das trinta e duas leis, nesta terra toda lavrada de rios, a China, há uma tamanha observância da justiça e um governo tão igual e tão excelente, que
todas as outras, por mais grandiosas que sejam, ficam escuras e sem lustro."




Fernão Mendes Pinto, in "Peregrinação"

 




Fonte: http://subterraneodamusica.blogs.sapo.pt/1306.html

Ary dos Santos - Homenagem - 18Jan2008 20:51:08

Faz hoje 24 anos que faleceu José Carlos Ary dos Santos, grande Poeta e Comunista.

 

 

 

Cavalo à solta

Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura.

Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa.

Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.

Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.

Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo.

Meu desafio
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura.

    José Carlos Ary dos Santos

    
    

    

    
    

    

    
    

    

    
    

    

    
    

    


Fonte: http://subterraneodamusica.blogs.sapo.pt/1135.html

Carlos Paredes - 12Jan2008 13:06:26

VERDES ANOS

 

 

MOVIMENTO PERPETUO

 



Fonte: http://subterraneodamusica.blogs.sapo.pt/891.html

Zeca Afonso - 08Jan2008 21:30:59

Zeca Afonso é, na minha opinião, o maior e o mais influente músico português.

A ele se deve as mais belas canções, que para além do  excelente valor melódico e artístico continham uma componente interventiva. Zeca não escreveu e compôs canções, só pela canção, utilizou como uma arma de denúncia de um estado fascista e repressivo, e de agitação de um povo atirado para a passividade e medo (brandos costumes), para que Portugal se liberta-se do jugo Salazarista. E como dizia o poeta "o povo não é livre em águas mornas".

 

 

 

 Era de Noite e Levaram
(Luís de Andrade/ José Afonso)

Era de noite e levaram
Era de noite e levaram
Quem nesta cama dormia
Nela dormia, nela dormia
Sua boca amordaçaram
Sua boca amordaçaram
Com panos de seda fria
De seda fria, de seda fria
Era de noite e roubaram
Era de noite e roubaram
O que na casa havia
na casa havia, na casa havia
Só corpos negros ficaram
Só corpos negros ficaram
Dentro da casa vazia
casa vazia, casa vazia
Rosa branca, rosa fria
Rosa branca, rosa fria
Na boca da madrugada
Da madrugada, da madrugada
Hei-de plantar-te um dia
Hei-de plantar-te um dia
Sobre o meu peito queimada
Na madrugada, na madrugada

 

 

 

 Cantar Alentejano
(José Afonso)

 

Chamava-se Catarina
O Alentejo a viu nascer
Serranas viram-na em vida
Baleizão a viu morrer

Ceifeiras na manhã fria
Flores na campa lhe vão pôr
Ficou vermelha a campina
Do sangue que então brotou

Acalma o furor campina
Que o teu pranto não findou
Quem viu morrer Catarina
Não perdoa a quem matou

Aquela pomba tão branca
Todos a querem p'ra si
Ó Alentejo queimado
Ninguém se lembra de ti

Aquela andorinha negra
Bate as asas p'ra voar
Ó Alentejo esquecido
Inda um dia hás-de cantar

 

 

 

A MORTE SAIU À RUA
Dedicada ao pintor Dias Coelho, militante comunista, assassinado pela PIDE

A morte saiu à rua num dia assim
Naquele lugar sem nome pra qualquer fim
Uma gota rubra sobre a calçada cai
E um rio de sangue dum peito aberto sai
O vento que dá nas canas do canavial
E a foice duma ceifeira de Portugal
E o som da bigorna como um clarim do céu
Vão dizendo em toda a parte o pintor morreu
Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual
Só olho por olho e dente por dente vale
À lei assassina à morte que te matou
Teu corpo pertence à terra que te abraçou
Aqui te afirmamos dente por dente assim
Que um dia rirá melhor quem rirá por fim
Na curva da estrada há covas feitas no chão
E em todas florirão rosas duma nação.

 

 

A noite das lágrimas e da raiva. A madrugada das carícias e do sorriso. O dia claro da festa colectiva. Tudo isso se encontra na poesia cantada de José Afonso, cantada por José Afonso. A luminosa gargalhada do povo, o seu suor de sangue, nas horas de esforço ingrato e de absurda expiação. O lirismo primaveril e feminino das bailias que não morreram. E o orvalho da esperança. E os ecos de um grande coro de fraternidade sonhada e assumida. José Afonso, trovador, é o mais puro veio de água que toma o presente em futuro, que à tradição arranca a chama do amanhã. No tumulto da contestação, na marcha de mãos dadas, com flores entre os lábios, é ele a figura de proa, o arauto, o aedo , o humilde, o múltiplo, o doce, o soberbo cantador da revolta e da bonança. Singelo José Afonso do Algarve doirado, dos barcos de vela panda, do Alentejo infinito sem redenção, dos pinhais da melancolia, dos amores sem medida, do sabor de ser irmão... José Afonso é a primeira voz da massa que avança em lume de vaga, é a mais alta crista e a mais tema faúlha de tuar na praia cólera da poesia, da balada nova. Urbano Tavares Rodrígues

Visite Zeca em:

autobiografia do Zeca

 http://www.aja.pt/Autobiografia.pdf

 

Associação José Afonso

http://www.aja.pt/



Fonte: http://subterraneodamusica.blogs.sapo.pt/702.html

Led Zeppellin - 11Dez2007 22:32:24

 

Palavras para quê?

É uma das grandes bandas de sempre.

Fiquemos só pelos videos das músicas.

 

 

 

 

 Babe I´m Gonna Leave You

 

 

 Whole Lotta Love

 

 

 Black Dog

 

 

 Stairway to Heaven

 

 

The Battle Of Evermore



Fonte: http://subterraneodamusica.blogs.sapo.pt/425.html

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