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"Não me fechem a pátria!" - 03Jun2010 16:49:00



Os tais livrinhos antigos que eu bem dizia à minha amiga ...

Já aqui referi uma dessas amizades que se fazem nas redes sociais ...! Contava-lhe eu, um dia destes (via tele-conferência que estas tecno-manias vão cultivando por aí), para o outro lado do Atlântico onde mora o coração e a língua portugueses, que há livrinhos, alguns mesmo antigos, que lá contêm ensinamentos por muitos já julgados ultrapassados e inúteis, para se vangloriarem na feira das vaidades reformadoras com que tecem a desgraça angélica e disfarçadamente decretada, travestida de pseudo-progresso, com e sem tecno-choques ...!

Vem isto a respeito de mais um postal de JAM, que assim vos passo, a respeito da nossa desdita, cuja data se comemora daqui a uma semana. Entre outras razões, por causa da memória de um livrinho que eu também conheci, na minha primeira classe da primária. Oferecido pelo Estado, a quem não tivesse o meio escudo (50 centavos, de "caixa escolar") para o pagar (e não eram poucos)!



E, do centro da minha vimaranense terra mãe, lá andava eu dois quilómetros ruas acima, até ao alto de Stª Luzia, onde ficava a Escola, com a sacola de ganga , com o quadro de lousa armada em madeira e a respectiva pena, o saquinho com o pedaço de pão de milho e a laranja, ou a maçã ...! Para enfrentar os ensinamentos inesquecíveis de meu ido Professor Amílcar, que um dia nos levou a Amarante, ver as serras e a sua terra natal ...! Que tarde de passeio inesquecível!

Esses tais profes que, já na altura, ensinavam a ler, a escrever (sem erros ortográficos), a contar, a desenhar, e ... a respeitar! Isso mesmo! Aí, sim, a infracção dava mesmo reguada (eu ainda tenho a marca de uma, na minha mão). Mas aprendi, para o resto da vida, que chamar f.d.p. a um colega, e ainda dentro de uma sala de aula, não era uma atitude mesmo nada correcta. E mostrava uma falta de respeito por alguém que ali estava a tratar-nos com a dedicação e o carinho com que aquela alma nos tratava!

Sim, eu já era um pouco afortunado, por ter um Profe assim, uma saquinha com uma merenda assim, com um livrinho assim. E tudo isso porque havia Escolas assim!!!


Fonte: http://jornaldeideias.blogspot.com/2010/06/nao-me-fechem-patria.html

"Eu nunca amei de verdade"! - 31Mai2010 22:05:00

A coragem de ser o que se pensa, mesmo que, com isso, não se pense como se vive!



Parafraseando o meu mui citado mestre e amigo JAM (porque o meu pensamento o acompanha, sem qualquer seguidismo balofo), a respeito desta atitude existencial, torno mais pertinente a razão de ser deste trecho que agora apresento. Cedido por uma nova amizade, dessas que as novas redes multimédia permitem, nesta globalizada "aldeia" on line. A partir do outro país onde se fala mais a nossa língua. Lá, onde se sente morar o nosso coração português, do outro lado do Atlântico. Nesse lugar da Terra onde a língua adocicou o sentimento e a saudade. Aonde ficou mais Portugal. Com todo o Amor do Universo, bem expresso, também, no seu azul e nas suas estrelas:


"Eu nunca amei de verdade

Essa afirmação parece estranha, vinda de uma pessoa tão apaixonada como eu. Sou assim com tudo que faço na vida, seja no trabalho, na amizade, na religião,na política, no futebol... Radical chique, como diz a amiga Vivi. Ou simplesmente uma maluquinha que se entrega de corpo e alma a cada atividade, relacionamento, momento...

Mas é importante diferenciar algumas coisas. Uma, a paixão, que me move. Outra, o amor universal...e outra, sobre o qual o título dessa nota fala, que é o amor romântico.

Em minha modesta opinião, tento aqui identificar esses três fenômenos. Não sou psicóloga e, se estou ofendendo a teoria, não posso fazer nada. São apenas devaneios de uma pessoa que pensa demais...

Paixão: É arrebatamento. É loucura. É ciúmes. É possessividade. A paixão é aquela sensação estranha no estômago, que faz você ficar enjoada só de pensar na pessoa, um misto de querer e quase morrer. A paixão é animal. É pura pele, saliva, cheiros e toques. É sensação. Não é sentimento. A maioria das músicas românticas falam da paixão, mas usam o substantivo amor no lugar, talvez por ignorância, talvez para vender mais. Vai saber. Mas a paixão é um sinal claro que ainda estamos em uma fase pouco evoluída na vida. Pois, como sensação animal, a paixão não é controlável facilmente. É pela paixão que ocorrem suicídios, homicídios, traições... A paixão tem como irmão dileto o orgulho e primo a vaidade. E, quando somos desprezados em nossa paixão, o outro corre um sério risco. Pois ficamos cegos pela fúria que nos acomete... a paixão é deliciosa, mas perigosa demais!

O amor universal: Ninguém melhor que Paulo de Tarso descreveu a essência desse amor, em sua famosa primeira Epístola aos Coríntios (e quem sou eu para reinventar a roda?): "O Amor é paciente, é benigno; o Amor não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O Amor nunca falha." O amor, sublime amor! É uma construção. Diária. É um sentimento que se renova a cada contato, a cada busca e até na ausência. O amor é indulgente e humilde. Generoso e tranquilo. Sentimentos são a expressão da nossa própria essência, de nossa personalidade. Eles que realmente definem quem somos. E esse sentimento poderoso é o que nos aproxima de Deus. Pois quando amamos de fato, só o bem do próximo nos basta. Se amanhã minha sobrinha disser que vai morar na China, pois será feliz assim, vou sofrer, mas ao mesmo tempo, vou correr para arrumar suas malas e ajudá-la a ir em busca dos seus sonhos. O amor é renúncia. É doar, sem pedir nada em troca. Isso eu senti pela minha mãe, pelo meu avô e pela minha madrinha que se foi. Por alguns outros tios, primos... é o que sinto por meus irmãos e sobrinhas. E por alguns amigos muito especiais.

O amor romântico: Esse eu falo em teoria. Analisando os relacionamentos que eu tive até agora, comparando com o que postei acima sobre amor e paixão, vejo que realmente eu nunca amei de verdade. Eu sempre quis ter, não ser. A diferença do amor romântico para o amor universal é que ele vem acompanhado daquela energia poderosa que chamamos de sexual. Lembro que, há muitos anos atrás, eu li uma frase em uma entrevista do Marcos Frota (eu era adolescente e achava ele lindo!) que dizia acreditar ser o Amor uma combinação de amizade com sexo. Eu troco a palavra amizade pelo amor universal...com sexo! Como estamos ainda na terra, precisamos disso. Um intermediário entre o amor por todos, singelo, puro e casto e a paixão, carregada de luxuria e tentação...

O amor romântico, em minhas fantasias mais infantis, nos faz ter asas e querer levar a pessoa amada para o Paraíso...Ao mesmo tempo, ele nos faz ver que, se a pessoa não está feliz com você, melhor é deixa-la ir, seguir seu caminho do que acorrentá-la a um sentimento que não faz sua vida ser risonha como gostaria...

O amor romântico é o que nos faz acreditar que somos principes, princesas, ou não. É ser, mas também é ter, só que de uma forma gostosa, leve... Eu só levei dois namorados em casa até hoje. Um, por que eu era muito jovem, era meu primeiro namorado sério e eu acreditava estar amando. Outro, porque minha mãe estava doente e não tive outra opção. Eu não conseguia simplesmente misturar meus amores com minhas paixões, da mesma forma que busco separar a Adriana amiga das demais... E não, nunca tive vontade de ter filhos e construir uma vida a dois com qualquer um deles (fora o primeiro, ok, mas isso fica pra outro post. Descobri anos mais tarde que foi uma das paixões mais violentas que tive. Mas era paixão...)

Isso me preocupa um pouco. Será que mostra minha baixa elevação espiritual? Que ainda estou tão presa a sensações que não consigo transpor a ponte da emoção para o sentimento? Ou será que apenas não era para ser? Vai saber...

Eu nunca amei de verdade. E não sei se amarei um dia. Não desse jeito.."

Adriana Torres Ferreira





Fonte: http://jornaldeideias.blogspot.com/2010/05/eu-nunca-amei-de-verdade.html


Da felicidade interior nos discursos contemplativos ... - 26Mai2010 18:30:00

Como sempre, vou acompanhando e lendo, com alguma atenção, as "bicadas" de meu mui citado mestre JAM.

Esta é mais uma, que poderia inscrever-se, também, nos artigos de opinião da "Escola de C. P.". Mas tem lugar aqui, dentro do espírito com que criámos este "Publicista".

Eu sei que o seu autor também por aqui "anda":

"Das vacas magras, sagradas ou gordinhas...

Os economistas mais escutados fazem prognóstico depois da crise e já reconhecem o óbvio da imposição externa e da falta de margem de manobra dos factores nacionais de poder. Nenhum sabe conjugar a palavra pátria e esta pode ser aprisionada pela música celestial de Pilatos e de outros que lavam as culpas com discursos.

Os discursos contra os especuladores são pássaros que voam na ilha da utopia. Preferia ter passarinhos na mão. O preço pode ser o máximo de sagrado na religião da economia. E não há mercado para quem não assume a liturgia da confiança no outro e na palavra do outro.

Foi o capitalismo especulador que nos permitiu a ascensão ao clube dos mais ricos do mundo, sem que a nossa sabedoria e a nossa produtividade efectivamente o merecessem. Foi uma escolha geopolítica que nos permitiu esse máximo de prazer com o mínimo de dor que foi a descolonização e a integração na CEE...

As vacas sagradas foram dois terços de remediados, entre papa-reformas e a protecção do bom e velho Estado, com um terço de excluídos que, apesar de tudo, votaram as maiorias do especulativo, como as de Cavaco, Guterres e Sócrates...

Neste momento de encruzilhada, quando muitos visionam o tremendismo das vacas magras, há quem, como eu, profetize que a geopolítica pode ainda livrar-nos do preço que, se houvesse justiça nas relações internacionais, deveríamos pagar por causa de pecados cometidos por omissão com justa causa...

Os erros de um aparelho de Estado, com muita banha, pouco músculo e quase ausência de nervo e cérebro, podem também aplicar-se ao mundo empresarial, feito à imagem e semelhança do primeiro, e ao colaboracionismo da chamada autonomia da sociedade civil com a partidocracia dominante.

Ao contrário do que proclamam certos criadores de cenários, apocalípticos, economicistas ou politiqueiros, o que temos é de dar estratégia ao nosso tradicional desenrascanço, nesse misto de aventura e pragmatismo que sempre nos deu identidade, permitindo sucessivas refundações de Portugal. Basta cultivarmos a ciência da criatividade, com os pés na dívida...

Os donos do poder interno, calculando cenários até pensam que se aviam com o pantagruel de um bloco central que deu limitados frutos há mais de um quarto de séculos, antes da CEE e do euro... Portugal já não é esse país dos engenheiros macromonetários e que agora dão aulas de saudosismo, pensando que tal é macro-economia...

Os donos do poder continuam encantados pelos velhos do restolho, do partido dos fidalgos, esses que temem o risco de navegar e preferem segurar-se entre as querelas do professor pardal e do professor manitu...

A reforma da ciência e da universidade, a que levou o cheque tecnológico ao ministério da economia, bem pode amar e odiar, colaborar ou sanear os ausentes-presentes e os caçadores de comendas e honrarias que geraram o presente neofeudalismo do sindicato das citações mútuas desta sociedade de corte...

Ficou o permanecente das viradeiras, este arquipélago de gestores endogâmicos que, em nome da autonomia financeira e do "outsourcing", controlam a mesa do orçamento através do clientelismo, do carreirismo e do cacete, típicos dos micro-atoritarismos sub-estatais que poluem a democracia...

O aparelho de Estado, da administração directa e indirecta, bem como os mecanismos contratualizados pelas políticas públicas são bens escassos que devem ser tratados sem o folclore do exibicionismo dos pequenos teatros de estadão, com beberete, croquete e outros rituais despesistas que ofendem a ética republicana, enquanto sinónimo de serviço público, com saúde e fraternidade, a bem da nação."

posted by JAM | 5/26/2010



Fonte: http://jornaldeideias.blogspot.com/2010/05/da-felicidade-interior-nos-discursos.html


Que saudades ... de futuro que já foi presente (!?...) - 14Mai2010 10:41:00

Depois de já tantas notícias que fazem correr tinta na imprensa e, talvez, sangue em muitos corações, sobretudo os dos mais desamparados, não posso deixar de exortar este sentimento, simultaneamente de solidariedade e de revolta, por este Estado a que chegámos.

Em dias de visita papal, com os nossos corações ao alto e as almas tão cabisbaixamente contemplando a desgraça em que estas águas da desdita nos mergulharam, com muitas carpideiras a aproveitarem as gotas de chuva com que o Céu, connosco, também chorou.

Em que se nota que, mesmo acorrentados a esta miséria que nos ensinaram a cultivar o egoísmo de todos e as ambições desmesuradas de muitos, saberemos aguentar muitos "cabos de tormentas", pois esta terra de Santa Maria deu-nos um ADN sócio-humano com que cada um de nós sabe reconhecer-se, resistir e defender. Por isso, todos esses saberão dizer Pátria querida, e relembrar que, em Fátima, se proclamava:

"Ó glória da nossa terra,
Que tens salvado mil vezes,
Enquanto houver Portugueses,
Tu serás o seu amor." (1)

Também me lembro, por tudo isto, daquele outro cântico de exortação colectiva, em que, sem vergonha, sentíamos orgulho de ser portugueses:

" (...)
Cale-se a voz que, turbada,
De si mesma se espanta,
Cesse dos ventos a insânia,
Ante a clara madrugada,
Em nossas almas nascida.
E, por nós, oh! Lusitânia,
-- Corpo de Amor, terra santa --
Pátria! Serás celebrada,
E por nós serás erguida,
Erguida ao alto da Vida!

(...)" (2)
_____________________
Foto picada aqui
(1) Retirado daqui
(2) Retirado daqui


Fonte: http://jornaldeideias.blogspot.com/2010/05/que-saudades-de-futuro-que-ja-foi.html

Vamos educar o País para não merecermos governos assim! - 11Fev2010 23:29:00

Afinal o "Zézito" é maroto, ah?!

Um tanto a contragosto, mas lá vou seguindo a posição do A. Lobo Xavier, na qual me revi e, pasme-se, até me fez relembrar o que já aqui disse, quanto ao golpe constitucional de que o Governo de PSL foi "vítima". Exactamente para permitir o acesso ao Poder destar nova democratura, presidida, executivamente, por uma espécie de pseudo-dirigente que, juntamente com a sua nomenclatura, adopta métodos de sustentabilidade da sua política governativa que já não enganam ninguém. É por estas e por outras equivalentes que, muito socialmente, defendo a extensividade e, ainda mais, o alargamento e a profundidade de uma efectiva CULTURA DEMOCRÁTICA, que começa, institucionalmente, nas instâncias da EDUCAÇÃO.

A. L. Xavier relembrou-me, no quadrado das conversas semanais de hoje, um muito discreto e muito mais ainda grave atentado contra a liberdade de imprensa, com linchamento (ou tentativa de) pessoal e profissional (e quem não sou eu para saber como é!?), presumivelmente tramado pelos alvos (V. I. pessoas) expostos num dos últimos números da então extinta revista mensal "Kapa" (K): após a edição desse número, a revista teve, salvo erro da minha memória, apenas mais alguns números editados. Do ME Cardoso nunca mais emergiram sinais de crítica sócio-política que, diga-se de forma imparcial, tinha algum carisma, sem qualquer prejuízo dos valores e/ ou ideias por ele manifestadas, mas com as quais, subjectivamente, muitos podemos não concordar.

Pessoalmente, desde que tive, pela primeira vez, conversa entre convivas de café (numa terra social e territorialmente pequena) sobre o assunto daquele número em apreço, nunca mais tive descanso no à vontade com que, naturalmente, me relaciono no meio a que pertenço! Nem nunca mais deixei de, profissionalmente, ser perseguido por isso, até à exaustão!!!

Sobre isso, apenas recortei, desse número da revista "K", esta passagem:

(...)

"Aí é que está. A minha geração, o Cesariny, o Virgílio Martinho, o António Luís Forte, eu, o Manuel de Lima, o Manuel de Castro?
.
K: O Gonzalez?
.
Não. Isso já é miséria? Não é por ser mais novo, o Gonzalez é mesmo uma miséria. Não, a nossa geração era muito agressiva, mazinha. Não havia panelinhas? E tanto que nos zangávamos todos uns com os outros. O Cesariny e o Lima de repente detestavam-se. E o António Maria Lisboa zangou-se, o Mário Henrique Leiria zangou-se? Porque essa geração, a do Café Gelo, éramos muito maus uns para os outros. Dizíamos nas caras uns dos outros, escrevíamos coisa uns contra os outros?
.
K: Mas essa geração não teve poder. O Cesariny é hoje consagrado porque tem uma editora que o suporta muito?
.
Não, mas ele tem público.
.
K: Mas não tem poder.
.
Não quer. Ele fez aquelas pinturas, mas isso é para poder gastar umas coroas ali com os meninos do Rossio. Também deve pagar muito caro porque ele está com uma cara!... Outro dia vi o gajo no Tal & Qual com o Mário Soares? Ele já não tinha os dentes desde muito novo, mas agora tirou a dentadura e está com um queixinho de velha, aquilo vai-lhe até ao nariz, coitado? O Mário teve aqui um problema chato por causa de um magala. Depois foi para Paris, onde havia tudo especializado: boites especializadas, tabelas, pensões? E o Cesariny era um poeta dos urinóis. Chegou a Paris, ia com esse hábito e botou a mão à sarda de um homem que estava a mijar ? resultado, foi parar à cadeia. O chefe da esquadra perguntou-lhe: «Então como é isso la-bas? E ele disse: «É como cá»; mas não era, porque o chefe da esquadra disse: «Então você tinha para aí tantas pensões para fazer isso, era preciso ir para o urinol deitar a mão à gaita do outro?"

Que conste das minhas memórias, nenhum procedimento jurídico teve lugar contra aquela extinta revista! Possivelmente, qualquer semelhança entre a essência política de episódios desta natureza e o actual cenário político mediatizado não será, certamente, mera coincidência!

Citação retirada aqui (artigo integral aqui referido; para quem nunca o leu, não perca a oportunidade).


Fonte: http://jornaldeideias.blogspot.com/2010/02/vamos-educar-o-pais-para-nao-merecermos.html

Continuamos com Raúl Brandão, evocando a justiça aristotélica ...!? - 05Fev2010 17:17:00

Lembro-me de uma sessão de aulas minhas, assistidas pelo Prof. Doutor Joaquim Gomes Dias, coordenador do meu ?Projecto de Profissionalização em Serviço?, na Universidade do Minho, correspondente ao 2º Ano do Estágio em Ciências da Educação que, muito bem, a norma impõe (impunha?) a quem entrava para o Quadro de Nomeação Provisória de docência numa escola pública (onde só adquiria o título de Professor quem obtivesse aprovação no dito Estágio, passando então a ser Professor do Quadro de Nomeação Definitiva).

E porque é que, agora, me vem à memória esta sessão lectiva? Certamente não quero, aqui, repeti-la. Nem, tão pouco, esta referência específica à meritocrática titularização docente (a fazer, também, recordar aos actuais pactuadores do regime avalienígena a pertinência de então) vai mais além da simples evocação contextual da questão que, aqui, pretendo parabolizar.

Tão pouco, talvez, queira mostrar algum ressentimento pelas consequências negativas que, subjectivamente, muitos de nós sofremos com este devir de uma carreira profissional que já não o é, pois deixou de ter ?carraria?, percurso ou sequência previsional. É das tais estatuições legais que, pouco legalmente (leia-se pouco cobertas pela conformidade à Lei Fundamental que as sustenta), se vêem alteradas pelas conjunturas de interesses que, longe de serem os superiores onde, ainda, achariam alguma sustentação, apenas convergem para a remediação dos males de que alguns se alimentaram, para proveito próprio, mesmo que com isso declarassem estar ao serviço de todos ...!?

E, aqui sim, estamos então no cerne ou núcleo da questão em apreço, e que foi, exactamente, o capítulo da matéria de Introdução à Economia que escolhi, sobre a qual teria de apresentar uma planificação didáctica e pedagogicamente conforme os cânones das ditas Ciências da Educação: o da ?Repartição dos Resultados da Produção?, onde, entre outros conceitos, os alunos deveriam aprender os de repartição funcional (salários, juros, lucros e rendas) e repartição pessoal dos rendimentos (equacionalizando as rúbricas componentes do Rendimento Líquido Disponível das famílias), salário directo e indirecto (repartição primária e secundária) ...

Uma das primeiras afirmações que proferi, frente ao referido Professor (para os que não têm uma imagem da cena, está um sujeito, sentado numa das cadeiras do fundo de uma sala de aula, muito discretamente, a tirar apontamentos sobre a forma como um Professor ?dá a sua aula?, para a sua posterior avaliação ...), foi esta: ?Sabem porque escolhi este tema do vosso Programa? Porque, como já viram no capítulo inicial, esta é uma Disciplina em que, também, se aprende a interpretar e compreender a sociedade (é uma Ciência Social), como não poderia deixar de ser, nesta função educativa da Escola! Neste capítulo, vocês vão poder compreender a razão de fundo de, praticamente, todos os conflitos sociais por que a Humanidade tem passado, independentemente do tempo ou lugar em que ocorrem! É, directa ou indirectamente, o móbil da determinação dos regimes políticos e dos fenómenos que os caracterizam: como e por quem repartir aquilo que a todos diz respeito!?" E, mesmo à margem das indicações programáticas, lá lhes esquematizei, com algum jeito de síntese, um quadro com as concepções aristotélicas de justiça: comutativa (ou particular), distributiva, e social ou legal (ambas públicas ou comuns), apenas para introduzir alguma orientação axiológica aos conceitos programáticos em apreço, já que a sua implicação pedagógica ultrapassa, por natureza e como já referi, o estrito âmbito das obrigações da Disciplina (naquela tal acepção da pedagogia da função docente, não estritamente disciplinar ...)!

Se fosse hoje, levaria para as ditas aulas alguns dos títulos dos jornais, sobre a questão que todos conhecemos, mas talvez convidando, para as mesmas, o Cardeal cá da terra, um Ayatolla, um Íman , o Dalai Lama, o Ministro do Erário Público português e o seu homólogo do Mercado Comum, e dir-lhes-ia estas palavras [1]:

?Torna a vida simples e serás feliz. A tua vida não custará gritos; o teu pão não será furtado a bocas famintas. Por cada homem que amontoa oiro, há cem criaturas morrendo no desespero e na aflição.? (Cap. XXII ? A Filosofia do Gabiru)

?Os pobres são como os rios. Estancam a sede da terra, fazem inchar as raízes e crescer as árvores; acarretam; moem o pão nos moinhos. Ei-la a vida da terra. Todas as catedrais se construíram da sua dor; sem eles a vida pararia.? (?) ?Os pobres pensam que existem seres ainda mais pobres, lares desamparados, onde nem o lume se acende; cuidam numa velhinha, que, a essa mesma hora, cisma, abandonada, e sozinha, ao pé de brasas extintas no filho doente, no filho ausente... Há cabanas nuas, lares rotos, almas mais gélidas que o nevão.

As lágrimas que se choram e se não vêem são as melhores: caem sobre a alma.? (Cap. XXV ? Natal dos Pobres)? ?.



[1] Retiradas de Os Pobres, de Raúl Brandão



Fonte: http://jornaldeideias.blogspot.com/2010/02/continuamos-com-raul-brandao-evocando.html

Da visão actual sobre a natureza humana - 09Jan2010 01:26:00

Continuando, ainda, com Ortega y Gasset

Vejo, revejo-me, desvio-me e ... evito simplesmente! Mas não são muitos os temas da vida social que me provocam tantos reparos contraditórios, tal é a confusão gerada pela 'public opinion' formada pelos mecanismos do pensamento correcto, hoje (com mais rigor) já não tão "dominante", mas "homogeneizante", a atestar pela docilidade com que se angariam legitimidades fictícias e virtuais para as pseudo-institucionalizações da reforma dos costumes (?).

Gostei de ouvir o Dr. Garcia Pereira (podendo não concordar em tudo), com um sentido histórico-realista que já não me espanta, ao qualificar o oportunismo com que politicamente se tem apresentado o tema 'fracturante' do "casamento homossexual" e o seu 'derivado' da adopção pelos ditos "casais".

Por mim, apenas digo o que, no essencial, já testemunhei perante alguns dos interlocutores que, há dias, se prestaram a um diálogo aberto, profundo e rigoroso, daí que imparcial e desinteressado sobre este tema actual. Não subscrevo, por outro lado, algumas das teses 'constitucionalistas' da Drª Isabel Moreira, pois com isso se estará a circunscrever um direito natural apriorístico, logo anterior a qualquer constitucionalidade, aos preceitos nesta inscritos, por mais louvável e virtuosa que seja a sua estatuição de direitos aí fundamentais.

Não! Mais uma vez digo não, ao instrumentalizar-se novamente uma questão tão basicamente humana como esta para fins particularistas de eventuais políticas governativas. A questão é, em si mesma, apenas remissível ao bom senso comum a pessoas civilizadas, à sua adequação e integração na consciência cívica de cidadãos livres, e cuja importância não se pode medir pelo poder decretino (a favor ou contra) de quem não vê que, com isso, se usurpa o absoluto natural, que é o da suprema liberdade interior de cada indivíduo.

Remeto-me por isso, mais uma vez, ao que estou há já umas semanas a preparar da obra de Ortega y Gasset, em termos que em muito ultrapassam a esfera da mera recensão. Talvez (mas não só) pelo facto de muito se ter falado do termo "casamento"(1) (que eu acho ser um handicap para os defensores deste novo instituto, eventualmente preferindo aqui a proposta laranja ou, ainda melhor, uma qualquer outra que defina e se ajuste mais pertinentemente à realidade concreta que se pretende defender). E pelo facto de, quer se trate de uma minoria ou não (?...), não se poder remeter a força de uma realidade natural ao poder das opiniões, dos gostos ou ao poder dos decretos:

"(...) A tendência dos homens, quer como soberanos quer como concidadãos, a imporem aos outros como regra de conduta a sua opinião e os seus gostos, está tão energicamente sustentada por alguns dos melhores e alguns dos piores sentimentos inerentes à natureza humana que quase nunca se detém a não ser por lhe faltar poder."(2)

"(...) O latim vulgar está aí nos arquivos, qual petrefacto arrepiante, testemunho de que uma vez a história agonizou sob o império homogéneo da vulgaridade por ter desaparecido a fértil 'variedade de situações' ".(3)
__________________________
(1) Veja-se, por todos os sentidos inscritos nos significados do termo "casamento", o que pode ser antropologicamente entendido como abrangente e pertinente à sua discussão pública.
(2) Gasset, José Ortega y, Rebelião das Massas, Relógio d'Água, pág. 23, Lisboa (citando Stuart Mill, La Liberté).
(3) Idem, pág. 25.


Fonte: http://jornaldeideias.blogspot.com/2010/01/da-visao-actual-sobre-natureza-humana.html

Mirando o Destino, em mais um início de calendário civil ... - 04Jan2010 16:10:00

Encontros da Música com o Cinema, mediados por vozes celestiais ...!

Mas o que é que a Barbara Streisand terá a ver com o Bill Evans ou o Buster Williams Trio ("Tokudo"), o Miles Davies e ... a "Branca de Neve" do Walt Disney ...?

Nesta procura global na rede mundial de informação ao nosso dispor podemos encontrar destas (pequenas ?) "coincidências". Por aqui serão sempre abençoadas, tanto quanto possam contribuir para o enriquecimento do nosso conhecimento. Sobretudo aquelas coisas que, pelo menos aparentemente, se nos deparam como (semi)encobertas, ou como algo que, por diversas e múltiplas razões (...?), podem ser inconvenientes para muitos dos que não convivem muito bem com a felicidade alheia (...).

No que toca a conhecer algo mais sobre este já antigo tema, veja-se, pelo menos, o título aqui e, para algumas das versões musicais, entre tantas, Dave Brubeck, Bill Evans Trio, ou o próprio Miles Davies.

As escolhas devem preencher todos os gostos. Eu prefiro (talvez) a primeira.

Divirtam-se ... enquanto "ele" (?) não chega!



Fonte: http://jornaldeideias.blogspot.com/2010/01/mirando-o-destino-em-mais-um-inicio-de.html

Volta o dia dois, e depois mais um, e ... sempre assim!... - 02Jan2010 13:33:00

Recordações que não moram no tempo ...! Recordando este vulto tão pouco falado às gerações de hoje. Mas em que eu faço sempre questão de insistir! è já de mim, do meu próprio ADN, ou da tal "mistura do fundo do saco" com que Deus criou a portugalidade! Afinal, FADO não é só em português, é mesmo bem universal!!!

Avec le temps...

Avec le temps...

Avec le temps, va, tout s'en va

On oublie le visage et l'on oublie la voix

Le coeur, quand ça bat plus, c'est pas la peine d'aller

Chercher plus loin, faut laisser faire et c'est très bien

Avec le temps...

Avec le temps, va, tout s'en va

L'autre qu'on adorait, qu'on cherchait sous la pluie

L'autre qu'on devinait au détour d'un regard

Entre les mots, entre les lignes et sous le fard

D'un serment maquillé qui s'en va faire sa nuit

Avec le temps tout s'évanouit

Avec le temps...

Avec le temps, va, tout s'en va

Mêm' les plus chouett's souv'nirs ça t'as un' de ces gueules

A la Gal'rie j'farfouille dans les rayons d'la mort

Le samedi soir quand la tendresse s'en va tout seule

Avec le temps...

Avec le temps, va, tout s'en va

L'autre à qui l'on croyait pour un rhume, pour un rien

L'autre à qui l'on donnait du vent et des bijoux

Pour qui l'on eût vendu son âme pour quelques sous

Devant quoi l'on s'traînait comme traînent les chiens

Avec le temps, va, tout va bien

Avec le temps...

Avec le temps, va, tout s'en va

On oublie les passions et l'on oublie les voix

Qui vous disaient tout bas les mots des pauvres gens

Ne rentre pas trop tard, surtout ne prends pas froid

Avec le temps...

Avec le temps, va, tout s'en va

Et l'on se sent blanchi comme un cheval fourbu

Et l'on se sent glacé dans un lit de hasard

Et l'on se sent tout seul peut-être mais peinard

Et l'on se sent floué par les années perdues

Alors vraiment

Avec le temps on n'aime plus.

Léo Ferré



Fonte: http://jornaldeideias.blogspot.com/2010/01/volta-o-dia-dois-e-depois-mais-um-e.html

Dia 1, por ser o primeiro dos primeiros - 31Dez2009 22:03:00

Comecemos por aqui! E agora! Porque é tempo pensado para recomeços anunciados, para novos anseios e expectativas, com a especial esperança de que, mais uma vez, se possa alcançar ou realizar algo novo, melhor, ou já há muito prometido!

Aqui me auto revejo, neste diário de bordo, a antecipar projectos a partir desta "nau", que falarão do que, no meu "diário de bordo", penso de mim a observar e criticar o mundo, e dos outros que nele também acontecem!

Daqui sairão outros "cadernos do pensamento", sem raíz obrigatória em qualquer canonização ou dogma que os condicione! Serão, pois, pura contemplação e especulação contemplativa, dando a liberdade ao espírito que, frequentemente, a razão aprisiona!

O Mestre costeiro



Fonte: http://jornaldeideias.blogspot.com/2009/12/dia-1-por-ser-o-primeiro-dos-primeiros.html

Continuando com Ortega y Gasset - 06Dez2009 02:11:00


Não critico nem comento. Apenas assinalo. Ao jeito, mesmo muito ao jeito das "bicadas" de meu mui citado mestre JAM. Enquanto leio mais uns apontamentos, revejo algumas obras e referências bibliográficas de autores sobre o tema, agora talvez interessante como nunca, da "revolução".

Por isso deixo aqui mais uma exortação (éssayant de saisir l'ésprit de nos jours):

"A função de mandar e obedecer é a decisiva em toda a sociedade. Como ande nesta turvação a questão de quem manda e quem obedece, tudo o mais marchará impura e torpemente. Até a mais íntima intimidade de cada indivíduo, salvas geniais excepções, ficará perturbada e falsificada.

(...) O acanalhamento não é outra coisa senão a aceitação como estado habitual e constituído de uma irregularidade, de algo que enquanto se aceita continua a parecer indevido. Como não é possível converter em sã normalidade o que na sua essência é criminoso e anormal, o indivíduo opta por adaptar-se ao indevido, fazendo-se totalmente homogéneo com o crime ou irregularidade que arrasta. Num mecanismo parecido ao que o adágio popular enuncia quando diz: ?Uma mentira faz cento?. Todas as nações atravessaram jornadas em que aspirou a mandar sobre elas quem não devia mandar; mas um forte instinto fez-lhes concentrar no ponto as suas energias e expelir aquela irregular pretensão de mando. Rechaçaram a irregularidade transitória e reconstituíram assim a sua moral pública. Mas o espanhol fez o contrário: em vez de opor-se a ser imperado por quem a sua íntima consciência rechaçava, preferiu falsificar todo o resto do seu ser para o acomodar àquela fraude inicial. Enquanto isso persistir no nosso país, é vão esperar nada dos homens da nossa raça. Não pode ter vigor elástico para a difícil faina de sustentar-se com decoro na história uma sociedade cujo Estado, cujo império ou mando, é constitutivamente fraudulento.

(...)Não se manda em seco. O mando consiste numa pressão que se exerce sobre os demais. Mas não consiste só nisso. Se fosse isto só, seria violência. Não se esqueça que mandar tem duplo efeito: manda-se em alguém, mas manda-se-lhe algo. E o que se lhe manda é, no final das contas, que participe numa empresa, num grande destino histórico.

(...) A vida criadora supõe um regime de alta higiene, de grande decoro, de constantes estímulos, que excitam a consciência da dignidade. A vida criadora é vida enérgica, e esta só é possível numa destas situações: ou sendo quem manda ou achando-se alojado num mundo onde manda alguém a quem reconhecemos pleno direito para tal função; ou mando ou obedeço. Mas obedecer não é aguentar ? aguentar é envilecer-se ? mas, pelo contrário, estimar quem manda e acompanhá-lo, solidarizando-se com ele, situando-se com fervor sob o drapejar da sua bandeira." (1)

________________
(1) José Ortega y Gasset, A Rebelião das Massas, Segunda Parte, XIV-IV, ebooksdobrasil.com, pp. 66-68.



Fonte: http://jornaldeideias.blogspot.com/2009/12/continuando-com-ortega-y-gasset.html

Adeus a um companheiro - 22Nov2009 12:05:00

Sinto, como companheiro de algumas lutas em que todos entramos, a amizade que em muitos deixas, e que por ti, e com eles, fará com que te recordemos para sempre.

"Das lutas políticas travadas no Liceu Gil Vicente, em Lisboa, após o 25 de Abril, até à fundação do Partido da Nova Democracia (PND), em 2003, e, mais recentemente, ao activismo espelhado no seu blogue (tomarpartido.blogs.sapo.pt), Jorge Ferreira manteve intocável uma das faculdades que mais o distinguiram na vida político-partidária: a frontalidade. É essa a qualidade mais evidenciada por quem acompanhou a sua vida política, ao seu lado e no campo adversário." (1)














Adeus, companheiro Jorge!

Que Deus de tenha, como um "Trazedor de Paz"!!!




(1) Jornal Público


Fonte: http://jornaldeideias.blogspot.com/2009/11/adeus-um-companheiro.html

Voltar, de novo, ao futuro! - 08Nov2009 02:00:00


Obrigado, mestre, por mais uma vez me lembrar das tuas bicadas, e rever nelas muitas das situações com que, frequentemente, evocas clássicas troadas que muitos de agora pensam como novas descobertas e luzes de glória! Mais valeria, realmente, renascer do nada!!!

É (talvez) por isso que só agora volto a escrever algumas notas dignas de publicitar. Por duas razões principais, apenas: primeiro, porque me deste novo alento ao saberes que volto a tentar fugir das garras do sempiterno senhor medo das trevas, ou melhor, medo dos sombrios vultos da cobardia institucionalizada, estatizada q.b. para que ninguém se sinta livre de uma qualquer persiganga a uma qualquer virtude não identificada pelo rolo compressor e unidimensionador do comportamento politicamente correcto. "Hiperdemocratizante" (agora escrevo a palavra com aspas). Serodiamente progressista.
Segundo, porque ao tratar de uma tradução de Ortega y Gasset, me relembro de quantas vezes não terei eu (e outros) lido nas tuas bicadas o que este ilustre filósofo do século passado com raízes no futuro também me está, também ele novamente, a ensinar.

Por isso, aqui deixo algumas das notas com que retrato esta evocação. Com saudades do tal futuro que sempre queremos trilhar, desbravar, perseguir como a uma estrela que nos indica o caminho ...!

"Há sobretudo épocas em que a realidade humana, sempre instável, se precipita em velocidade vertiginosa. A nossa época é dessa classe porque é de descidas e quedas."

"A mentira seria impossível se o falar primário e normal não fosse sincero. A moeda falsa circula apoiada na verdadeira. No final das contas, o engano vem a ser um humilde parasita da ingenuidade."

"Outrora podia ventilar-se a atmosfera confinada de um país abrindo-se as janelas que dão para outro. Mas agora esse expediente não serve de nada, porque em outro país a atmosfera é tão irrespirável como no próprio. Daí a sensação opressora de asfixia."

"...até a extravagante ideia do século XVIII, segundo a qual todos os povos hão de ter uma constituição idêntica, produz o efeito de despertar romanticamente a consciência diferencial das nacionalidades, que vem a ser como estimular em cada um a sua vocação particular."

"... há costumes europeus, usos europeus, opinião pública europeia, direito europeu, poder público europeu. Mas todos esses fenómenos sociais dão-se na forma adequada ao estado de evolução em que se encontra a sociedade europeia, que não é, evidentemente, tão avançado como o dos seus membros componentes, as nações."

"Onde quer que tenha surgido o homem-massa de que este volume se ocupa, um tipo de homem feito de pressa, montado tão somente numas quantas e pobres abstracções e que, por isso mesmo, é idêntico em qualquer parte da Europa. A ele se deve o triste aspecto de asfixiante monotonia que vai tomando a vida em todo o continente. Esse homem-massa é o homem previamente despojado de sua própria história, sem entranhas de passado e, por isso mesmo, dócil a todas as disciplinas chamadas ?internacionais?. Mais do que um homem, é apenas uma carcaça de homem constituído por meros idola fori; carece de um ?dentro?, de uma intimidade sua, inexorável e inalienável, de um eu que não se possa revogar. Daí estar sempre em disponibilidade para fingir ser qualquer coisa. Tem só apetites, crê que só tem direitos e não crê que tem obrigações: é o homem sem nobreza que obriga ? sine nobilitate ? snob."

"A velha democracia vivia temperada por uma dose abundante de liberalismo e de entusiasmo pela lei. Ao servir a estes princípios o indivíduo obrigava-se a sustentar em si mesmo uma disciplina difícil. Ao amparo do princípio liberal e da norma jurídica podiam aguar e viver as minorias. Democracia e Lei, convivência legal, eram sinónimos. Hoje assistimos ao triunfo de uma hiperdemocracia em que a massa actua directamente sem lei, por meio de pressões materiais, impondo as suas aspirações e os seus gostos."

"A missão do chamado ?intelectual? é, em certo modo, oposta à do político. A obra intelectual aspira, com frequência baldada, a esclarecer um pouco as coisas, enquanto a do político só pode, pelo contrário, consistir em confundi-las mais do que estavam. Ser da esquerda é, como ser da direita, uma das infinitas maneiras que o homem pode escolher para ser imbecil: ambas, com efeito, são formas da hemiplegia moral. Ademais, a persistência destes qualificativos contribui não pouco para falsificar mais ainda a ?realidade? do presente, que já fala de per si, porque se encrespou o crespo das experiências políticas a que respondem, como o demonstra o facto de que hoje as direitas prometem revoluções e as esquerdas propõem tiranias."

"Esse costume de falar para a Humanidade, que é a forma mais sublime, e, portanto, a mais desprezível da demagogia, foi adoptada até 1750 por intelectuais desajustados, ignorantes dos seus próprios limites e que sendo, por seu ofício, os homens do dizer, do logos, usaram dele sem respeito e precauções, sem perceberem que a palavra é um sacramento de mui delicada administração."

Por tudo isto evoco essa muito pertinente afirmação de que "só é moda o que passa de moda" - estes excertos são, repare-se, da obra de José Ortega y Gasset "A Rebelião das Massas", 1928.

PS: qualquer semelhança entre as proposições aqui citadas e apresentadas e qualquer das realidades por nós vivenciadas é mera semelhança do acaso, nestes tempos de conturbados determinismos, que a todos nos incomodam.


Fonte: http://jornaldeideias.blogspot.com/2009/11/voltar-de-novo-ao-futuro.html

Nova era de MEDO - 01Abr2009 18:24:00

E, porque tudo se perfila com a "Anatomia do Terror", então eu digo:

Tenho estado a reflectir, também, sobre as razões quase subconscientes que me têm levado a não ser regular nas minhas postagens, neste ou noutros blogues que já criei. Sei de algumas dessas razões. Muito provavelmente, há outros ícones da subserviência pública e estatal, q. b., que o saberão melhor que eu, o próprio.

Tenho estado, mesmo debaixo de um período de descanso médico-compulsivo (dita baixa médica, derivado dessas circunstâncias de que os acima mencionados são bastante conhecedores e em que são exímios especialistas), a contribuir, directa ou indirectamente, para a retribuição a que a sociedade que me dá o vencimento mensal julgo ter sempre esse direito. E então lá vou escrevendo, criando ou repensando sobre tudo o que se reporta com a minha actividade académica e profissional. Aqui, neste burgo pseudo-condalense em que Deus quis que eu constituísse lar e mais família; e em Lisboa, onde, entre idas à Costa com a minha querida Mãe e os momentos que lhe roubo à sua solidão, não deixo de visitar e participar no que de mais vivo e notório emana da minha querida Escola que é o ISCSP, sempre em contacto com aqueles Professores que me dão o alento necessário para sentir e amar esta actividade que conquistou a minha paixão desde tenra idade. (Quanto já coloquei no prelo sobre este assunto, que um dia virá a lume, brando, brandinho, qu'é p'ra não haver ninguém que se possa dizer queimado ...!?).

Por tudo isto, e porque talvez não seja mera coincidência o facto de já ter começado a reler e a aprofundar leituras sobre o fenómeno, vêem-me à ideia a "Anatomia do Terror", de Andrew Sinclair, "Os Homens do Terror", de Hans Magnus Enzensberger, "Globalização, Democracia e Terrorismo", de Eric Hobsbawm, ou "Os Demónios", de Fiódor Dostoiévski. Não posso deixar de aconselhar, também, a abrangente antologia, com direcção do meu primeiro grande mestre em C. Política que foi o Prof. Doutor Adriano Moreira, Terrorismo, de que já fiz uma pequena recensão oral.

Reporto-me, por tudo isto, a mais uma das "opinadelas" deste já por mim mui citado colunista, cujo teor se encaixa, historicamente, neste tipo de fenómeno (as)social:

"POR OUTRAS PALAVRAS

"Perfilados de medo"

A memória é de geometria infinitamente variável e, sempre que os propósitos não se compadecem com escrúpulos, como acontece na guerra, a História pode ser escrita, reescrita e apagada à medida das conveniências. Foi assim que a Orquestra Juvenil Palestiniana "Cordas de Liberdade" (bonito nome?) foi agora dissolvida pelas autoridades de Jenin, na Cisjordânia, por ter tocado para um grupo de sobreviventes do Holocausto.

Compreende-se: para quem, como certos movimentos islâmicos e seus simpatizantes na extrema-esquerda e extrema-direita europeias, o Holocausto nunca existiu, ou foi um "pormenor", também não podem existir sobreviventes do Holocausto. Ora tocar para inexistências é impróprio de uma orquestra juvenil, pelo que também ela deve passar a não existir. Se o próprio Estado de Israel ainda existe é porque o longo braço da ontologia islâmica lá não chega. Chega já, porém, ao Reino Unido, onde o Holocausto e as Cruzadas foram retirados dos programas de História com medo (o medo, esse mestre mudo, sempre foi o grande educador dos infiéis) de ferir a "sensibilidade" da comunidade islâmica."



Fonte: http://jornaldeideias.blogspot.com/2009/04/nova-era-de-medo.html

Novas 'roupas' de uma elite circulante? - 21Jan2009 05:36:00

Sobre o discurso da reformulação do Poder da elite dominante!

Será que estamos, finalmente, perante o virar da página do "white man's burden"? Será que esta presidência constituirá o precedente originário da superação das diferenciações raciais? Terá o desempenho desta Administração o reflexo exemplar que constituirá o modelo com que poderemos visualisar a próxima etapa da consciencialização cívica dos cidadãos do Mundo?

Assisti, mais uma vez, em directo e em diferido, a um ritual de investidura do Poder, actualmente a mais mediatizada do Planeta! Afinal, trata-se da imagem pública do representante da nação mais influente na cena internacional dos nossos dias.

Mas subscrevo, pelo menos quase na íntegra, esta nota (bicada) Sobre o Tempo Que Passa, de meu mui citado mestre JA Maltez.


Fonte: http://jornaldeideias.blogspot.com/2009/01/novas-roupas-de-uma-elite-circulante.html

Mais umas buscas, possíveis surpresas, na mediocracia ... banal - 10Jan2009 01:28:00

Mais um balde de água fria, desta feita ... "à moda do Porto"!

Leio com alguma atenção mais esta  notícia "de cartaz", cujo conteúdo nos traz mensagem de alguma esperança. Mais uma! Para quê? No final de 'contas', todas feitas com a ética, a estética e dentro da actual oportunidade política, apenas nos resta a consolação de ficarmos, nós os pobres de carteira, a conhecer esta realização de tão prestimoso evento, iniciativa ainda levada a efeito por uma Fundação com alusiva e emblemática denominação encíclica. Cristo, creio (sem qualquer pretensão ou pejoração), ter-se-ia revoltado e derrubado as cadeiras e mesas de tão plutocrático empreendimento!

"O alicerce das coisas

Ética e política

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A saída da crise actual exige profunda reflexão ética, requer discernimento, sensibilidade, percepção espiritual, autocrítica, análise descodificada da realidade, abertura estética.

 Para analisar a actualidade importa convocar valores intemporais, escapar à idolatria da acção, do pragmatismo sem princípios. Aos seguidores de Jesus falta muito uma contestação e uma indignação proféticas, porque a espiritualidade cristã encarna no ser humano, na cultura, na estrutura, na conjuntura... As bem-aventuranças do Evangelho constituem apelo à transformação radical da sociedade para que não impeça os irmãos de serem irmãos. Homens e mulheres contemplativos do Deus de Jesus levam a solidariedade até às últimas consequências, necessariamente políticas. Jesus não teve apenas compaixão, viveu a paixão e deu a vida na cruz. Aproximou-se com a lucidez de Filho de Deus, caminhou com os pobres, experimentou a cruz da privação, da renúncia, do risco e até da conflitualidade, se necessário.

Ajudar as pessoas a não entrar em desespero, a não ficar na pura indignação sem sentido, requer grande capacidade de esperança com base ética e mesmo profética e utópica.

Com o tema ?Ética e Política?, tem início, no próximo dia 12, em Lisboa, e no dia 13, no Porto, um curso livre em doze sessões, organizado pela Fundação Spes (www.fspes.pt). Esta Fundação foi criada pelo bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes (1906-1989), exemplo claro da força das incidências éticas na vida cívica. Não é apenas o contexto dos cinquenta anos da sua ?Carta a Salazar? a conduzir o evento, mas a escolha da temática tem particular acuidade e será abordada por especialistas de diversos quadrantes, em ambiente de debate.

A oportunidade da iniciativa, no actual contexto mundial e nacional, merece especial atenção. A valorização da ética na política, na economia e na educação é caminho essencial, evidenciado no presente momento histórico. Mas o percurso tem pouco a ver com moralismos retóricos e tem tudo a ganhar com estilos inovadores de viver e de organizar a economia, a política e a educação. Seria fundamental que o ano de 2009 fosse de Inovação, nestes domínios e não apenas nas novas tecnologias.

É para contribuir neste sentido e preocupada em formar uma nova geração, capaz de romper com oligarquias de mais do mesmo, que a Fundação Spes promove o referido Curso de Ética e Política. Conto participar nas sessões de Lisboa, disposto a analisar as perspectivas lançadas pelos professores convidados. Aqui farei eco, quando oportuno.

D. Carlos Azevedo, Bispo Auxiliar de Lisboa"

Agora, olhando para os encargos  por quem quiser participar  nesta tão nobre e enriquecedora iniciativa (apenas os da inscrição, não contando com outras despesas adicionais, sobretudo as inerentes a quem tem de deslocar-se do seu local de residência), como se presume , mesmos para os mais baixos, ficamos a perceber quem nela poderá tomar parte!

Haja Deus!!!

Amen


Fonte: http://jornaldeideias.blogspot.com/2009/01/mais-umas-buscas-possveis-surpresas-na.html

Marxismo de casino e maoismo 'high tech'! - 02Jan2009 20:01:00

Depois da 'tempestade' do annus horribilis (leia-se a na futurologia para 2009), vem a hipócrita bonança do "Bom Ano Novo"! "... e o Tejo, está sempre novo"!!!

Vejo que do nevoeiro continua a não sair D. Sebastião algum, nem do Tejo nem do mar ...! Apenas reparo que D. José Policarpo descobriu que a pobreza também é uma consequência dos sistemas económicos, e que em tempos de crise há que ser mais exigente (...)?!!! Ainda me resta alguma memória do que se sabe que a Igreja é capaz, em tempos de solidariedade necessária, apesar da Companhia de Jesus (e eventualmente outras entidades de merecido destaque) ter outros reparos a fazer a tão sacra organização ...!

Também me recordo dos tempos em que, segundo o que me contavam os da minha geração mas nascidos e criados em Lisboa, se tomava banho nas docas de Alcântara, que eu apenas conheci já com a primeira Ponte sobre o Tejo, então dita de Salazar, onde alguns dos dejectos avistados nas correntes do rio eram os primeiros cúmplices dos sinais da emancipação da mulher ...! O que eu ainda não posso explicar aos meus filhos, acabados de fazer a Comunhão Solene!


Porquê? Porque também me lembro de ter alinhado (já aqui o disse), muito convictamente, no movimento estudantil de então (MAEESL), que contestava muito do que por esses tempos se vivia - sobretudo o capitalismo (leia-se holigárquico-financeiro e não, ainda na altura, selvático-devoreiro, que é como quem diz, da institucionalização da plutocracia banco-burocratizada dos comunistas reciclados q.b. e dos maoistas do voyeurismo repressivo 'high tech', outrora vozes afinadas da pretendida oclocracia) e o absurdo sócio-económico da política que sustentava a guerra colonial ...!!!

Assim, se o que de então contado aos jovens de hoje pode parecer surrealista, ou cómico-trágico, já os presentes factos que temos a obrigação histórica e social de registar serão os melhores recursos pedagógicos para a sua aprendizagem sócio-cultural! Isto é, a realidade presente afigura-se-nos como a melhor das evidências empíricas para que os futuros adultos não tenham de embarcar tanto em sonhos como nós tivemos, pois pelo menos muitos de nós passaram a travessia do deserto, navegaram na utopia, alimentaram alguma (pouca ou muita) fantasia, mesmo que, depois, tenham regressado pelo Tejo (...!?).

E deste modo chegados ao presente, que temos para comprovar o mérito dos sacrifícios então assumidos?
- Que mais vale continuar a sonhar com a realidade talvez possível de, um dia, se atingir, por ora ainda pura fantasia!
- Que a nova geração tem de recuperar alguma da aprendizagem da contestação socialmente imprescindível, se ainda quiserem ter, um qualquer dia, condições de dignidade sócio-humana mais condizentes com as expectativas que os seus progenitores lhes projectaram nos afectos dos respectivos lares!
- Que, por tudo isso, lutar é preciso, erguendo a voz contra aqueles que, dizendo que fazem, apenas dizem aquilo que qualquer um de nós pode dizer melhor! Porque o sabe melhor!

Por isso, volto a repetir mais uma das 'oh pinadelas' do articulista do J Notícias, para quem, estou certo (como em muitos outros ...) Marx não era marxista (embora não jogasse às cartas em casinos, nem andava de táxi) e Mao não exportava revoluções culturais (por si, seria só para consumo interno)! De Cuba, só os 'havanos' se fumavam!


Fonte: http://jornaldeideias.blogspot.com/2009/01/marxismo-de-casino-e-maoismo-high-tech.html

Depois de Ché ... bebi um chá! - 02Jan2009 19:57:00

Precisamos de um grande grito de Ipiranga!

Há dias vi, uma vez mais, num dos canais encabelados, o resumo dos dias revolucionários de nuestro comandante Ché Guevara! De como a realidade pode manchar e desmanchar os mais puros desígnios sentidos no mais profundo dos nossos corações (...)!
E, depois de umas quantas evocações que das últimas cogitadelas se têm aqui transcrito, dou de caras com mais esta 'oh pinadela':

"Cuba en el corazón"

Não sei se acontece o mesmo com toda a gente: o meu coração vai sempre uns metros à frente da minha razão; quando a razão chega, já o coração - ou lá o que é - partiu de novo.

Daí que tenha às vezes a impressão de que a minha razão (e no entanto sou, até em excesso, comummente racional) preside a uma ausência.

Na vida, só em raros momentos felizes razão e coração batem unanimemente, sem ressentimentos, pois se a razão é complacente, poucas vezes o coração se submete às considerações da razão.

A Revolução Cubana, que faz 50 anos, é um difícil conflito que tenho comigo mesmo. Ao longo dos anos, o meu coração, transbordante de jovens rebeldes descendo da Sierra Madre de rifles na mão e corações limpos, sangrou com Padilla preso e humilhado ("Diz a verdade,/ diz, ao menos, a tua verdade./ Depois, deixa que qualquer coisa aconteça"), com Arrufat, Reynaldo Arenas, Raul Rivero? "La sangre, no quería verla", e fechava os olhos.

Mas se o coração explica tudo, mesmo o inexplicável, a razão não. Cuba é hoje a recordação de algo íntegro e novo que, se calhar, nunca aconteceu senão dentro do meu coração.



Fonte: http://jornaldeideias.blogspot.com/2009/01/depois-de-ch-bebi-um-ch.html

Trago Novas da Província: "Vive Nôtre Président" - 01Jan2009 02:06:00

Agora eu já sei que eles sabem que eu sei porque tenho de me ir embora! E Deus queira, também, um "Bom Ano Novo" para todos!


Acabo de ouvir as notícias deste "maior fogo de artifício de sempre em Lisboa", à meia-noite, e que a imagem que colhi, enquanto o dito deflagrava, pode não desmentir (?)! Mas, a culpa parece ser do ... nevoeiro, a acreditar que, para nossa dona salvação, ainda possa aparecer o tal desejado, lá para altas horas da madrugada! E que o desminta, categoricamente(!?).

Pois! Isto de tornar realidade aquilo que se ouve dizer tem muito que se lhe diga: e ai de quem diga o contrário, que pode aparecer por aí o tal ... quer dizer, o masculino de Maria! Sim, porque isto de dizer que não há D. Sebastião, que não se faz fogo de artifício a condizer com a nossa dignidade societal, que não há um sistema de Justiça, que não há Democracia, que há corrupção e, até (por isso mesmo), que não se ensina no Ensino (e por isso se devem submeter todos os seus responsáveis a uma adequada avaliação), que não há Pai Natal, é ou poderá vir a ser (a muito curto prazo, neste tempo de relativização do absoluto) crime de ofensa pública!(?) E, nalguns caos, crime de lesa-pátria! Ponto final! Parágrafo! E que ninguém se dê ares de ... quer dizer, transpirares!

Assim, já é tempo de dizer, em tempo de renovação de esperanças concretas numa imanente realização de Justiça:

- Sim, há uma tomada "escalonada" do poder, por parte de pseudo-democratas maosinhos q.b., na Administração Global, com raízes na Província profunda! Desse modo, os urbanos cuja consciência social e correspondente civilidade o não admitiriam, não sabem que nesse "portugalório dos pequeninos" se conjuga o verbo dizer com queimar, e contradizer com processar!

- Sim, não se pode ser professor honesto, íntegro, e muito menos contra-sistema localmente estabelecido, que é como quem diz, não há margem de tolerância para os que, sobretudo se não tiverem "las espaldas bien guardadas", denunciem o tão famoso contra-poder da Administração!

- Sim, esta gente é capaz de tudo! Linche-se quem tiver de ser linchado! Sem escrúpulos nem tréguas, porque o que está em jogo é extremamente grave, pessoalmente muito abrangente (leia-se qualitativa e quantitativamente), politicamente promissor (e por isso apelativo, envolvente), estrategicamente impreterível!

- Sim, eles (os portadores do "livro vermelho do nosso querido presidente" (mas aonde é que eu já ouvi esta?) estão conclusivamente a dominar, dentro das mais variadas camuflagens políticas, os aparelhos do Poder! Do campo para a cidade!!!

Por isso, vem, D. Sebastião, vem! Nem o "maior português de todos os tempos" nos vale! Vem, quer tragas nevoeiro, chuva, tempestade, frio, calor, ...! Vem, e ... não tapes os olhos com a mão! Não temas, não te envergonhes, pois muitos te reconhecerão, clamando por um pouco de paz! Por um pouco de pão! Por muita da razão que começa a faltar-nos! Vem, e traz-nos, também, um pouco de alegria para viver! Mas, por favor, vem!!!

Portugal não pode esperar maos!


Fonte: http://jornaldeideias.blogspot.com/2009/01/trago-novas-da-provncia-vive-ntre.html

Será que foi mais uma "Sã Paiada"?!!!? - 30Dez2008 00:29:00

Como na política há muitas montanhas a parir ratos!


Desta vez, ouvi. Acamado com esta gripe que anda por aí, virado para a côrte porque nesta minha janela de Lisboa o mar se estende à minha frente, lá ao longe, depois do Padrão dos Descobrimentos, de um lado, e da Trafaria, do outro, desta vez ouvi uma mensagem de um orgão político, em directo pela TV. Como já há uns anos o não fazia. Tenho tido razão para o não fazer, confirmou-o a estupefacção com que me colheu, em conclusão, a decisão tomada pelo nosso PR!

A julgar pelo tom com que o Prof. nosso PR começou a proferir toda a sua argumentação com que explicava aos portugueses a inaceitabilidade do texto legal aprovado em AR, e os perigos justificados de tal precedente (in)constitucional (plausivelmente a seu favor), eu já falava para dentro de casa: "Não me digas que, com isto tudo, não dissolve a AR"!!! 

Se o anterior PR dissolveu a anterior AR, com aquilo a que eu chamei de "um autêntico golpe constitucional", em que não podiam encontrar-se fundamentos constitucionais para a decisão que tomou, sendo um acto essencialmente político, como pode, agora, assistir-se a um atentado destes à CRP, aos princípios mais basilares da estabilidade de qualquer democracia constitucional moderna, e o PR (ainda por cima o elemento mais visado neste atentado) não dissolver aquele órgão?!!!?

Ou há aqui algo que me escapa, ou a montanha pariu ... um "absurdo"!


Fonte: http://jornaldeideias.blogspot.com/2008/12/ser-que-foi-mais-uma-s-paiada.html

Ai!!!, ...se a Srª minha Ministra me lesse, ...!!!(?) - 23Dez2008 19:21:00

E se os assessores (leia-se, pedagógicos) da Srª Ministra da Educação fossem todos professores (não precisava serem titulares)?!!! ...


Isto tudo não começou na era socratina! Nem na era guterrista, ou na cavaquistanista! Isto tudo começa todos os dias em que nos levantamos para viver mais um dia, uns à custa de outros, uns mais que outros! Mas em que ninguém assume as culpas, cada um a sua enésima parte de culpa, pelo estado a que chegamos! Uns por acção, outros muitos por omissão! Todos por cobardia!

Ora aqui está um adjectivo que pode chegar para começarmos a compreender uma das faces da fonte da nossa miséria social: falta de espinha dorsal, quer dizer de verticalidade, isto é, falta de coragem para assumirmos, todos, que todos nós sabemos do que se trata: todos sabemos que, mais ou menos, anteontem, ontem ou hoje, nos corrompemos ou deixamos corromper, anuímos ou fomos coniventes, mas certamente todos negligentes, face ao comodismo e ao oportunismo que as facilidades, os compadrios, os favores, prebendas e outras merendas, nos satisfizeram a todos, novamente a uns mais que a outros, quando tratamos de resolver as questões que a nós, a cada um de nós pelo seu mérito, deveria ficar entregue. E que cada um de nós sempre adiou, falseou, escondeu ou disso fugiu ou desertou!

E que tem isto a haver com a Srª Ministra da Educação? Tudo!!! Porque é disso que se trata: para atender a um fim que se justifica plenamente, seguiu e tem prosseguido por meios que, já em si, negam os fins a que se destinam! Ou seja, pede aos professores:

1º - que fiquem parados (a congelar) na carreira que os seduziu profissionalmente! Resultado organizacional: torna-se persona non grata (o titular do cargo, não a pessoa, entenda-se), e o inimigo nº 1 a abater;

2º - que se diferenciem entre si, tendo como consequência (mais uma inconstitucionalidade?) a discriminação e a injustiça funcional de alguns mais incompetentes (mas mais sistemizados) virem a assumir funções pedagogicamente fulcrais para a definição, acompanhamento e avaliação dos processos de ensino-aprendizagem !!!(...);

3º - que se avaliem, através dos tais que, para serem avaliadores, deveriam há muitos ser os primeiros a ser, especialmente, avaliados, primeiro para se atestar da sua competência para ensinar, e depois para avaliar o que os outros ensinam (e, admito-o, muitos não ensinam nada!!! Quanto a isso estou disposto, totalmente disponível, para ser avaliado e classificado, e daí assumir todas as consequências!!!);

4º - finalmente, que admitam que, para serem avaliados, têm que dizer, de sua própria justiça, o que acham que andam aqui a fazer! E o que pretendem fazer!? E quanto acham que por tanto deveriam ganhar (quanto a isso já tenho consultado ofertas de emprego no Reino Unido e na Noruega: a inferir pelos salários ali propostos, NÓS GANHAMOS MAIS QUE ESSES, QUE SÃO PROFESSORES EM PAÍSES MUITO MAIS RICOS QUE O NOSSO, com muito maiores taxas de sucesso escolar que o nosso)!!!

Então, V. Exª, Srª Ministra, não sabe que se entra para uma reun
ião (seja de que cariz for), dentro de uma escola (pelo menos pública) portuguesa, e a primeira coisa que se faz é assinar a respectiva Acta? E que acontece a um professor que, por acaso (?), até nem concorde com o seu conteúdo? A Srª Ministra acha que se vai chamar novamente uma dúzia de boas almas ensinantes e preencher, mais uma vez, aqueles papéis maçudos? Não!!! Processa-se o inssurecto, que é para ele aprender que, no ensino deste país muito finamente democratizado, quem não aprende não come!!! (?!!! Está a ver a essência da questão, não está?).

Então, a Srª Ministra, V. Exª não sabe que há órgãos de gestão, designados electivamente, que se perpetuam há mais de uma década nas mesmas cadeiras, e que gerem as coisas da feição já aqui insinuada? Mesmo que normativamente, a questão já em si, de si e só por si perniciosa, dos presidentes dos órgãos executivos acumularem a presidência pedagógica das respectivas escolas, ao mesmo tempo que presidem aos respectivos conselhos fiscais, torna as oportunidades de insucesso por acumulação de incompetência uma grande certeza! Ou seja, nas escolas públicas portuguesas, quem tem competências para fiscalizar é quem é fiscalizado! Ou vice-versa, que é o mesmo que dizer que aqueles cuja administração deve ser legalmente supervisionada são os próprios fiscalizadores!!! (Assim vai bem que não deve a quem! Percebeu?)

Só mais uma, Exª Srª Ministra: por favor, diga ao país: "eu não sabia que os professores afirmam fazer ou realizar "coisas" que (quase) ninguém faz! E todos concordam que se fez! Mesmo quem os dirige! Por isso esses também devem ser avaliados (fiscalizados e responsabilizados)! Sei que, por exemplo, muitíssimos dos alegadamente concebidos, participados e realizados (por professores e alunos) Projectos de Área-Escola, que se ratificam em Conselhos de Turma, nunca chegam a ser minimamente implementados (nalguns casos verifica-se, mesmo, que, durante todo um ano lectivo, ninguém sobre isso escreve uma única letra!!!?)! E que muitos professores que não se mostram coniventes com este estado de coisas chegam, em alguns (muitos?) casos, a ser processados, pelos mais variados e kafkianizados meios burocraticamente disponíveis!!!"

Por favor, Srª Ministra: diga-o, ou então diga ao país que eu sou um grande mentiroso (V. Exª está de acordo, não está?!!!)

Obrigado

Um Professor português, 
de uma escola de Portugal,
com votos de uma feliz e saudável quadra natalícia, para TODOS!


Fonte: http://jornaldeideias.blogspot.com/2008/12/ai-se-sr-minha-ministra-me-lesse.html

Ajuda ... só aquele cantinho do Céu lisboeta onde me tornei Homem! - 17Dez2008 16:44:00

De novo nas origens, em dia de vários regressos e lembranças!

Dou comigo, novamente, nesta Guimarães bercinho da grande promessa civilizacional que este meu País já foi! Ainda mais: o destino leva-me a encontrar alguém que me disse a palavra "ajuda", bem conjugada na primeira pessoa de um futuro presente incondicional! 

Depois de rever a minha querida escolinha primária, sempre bem presente na minha memória (assim como o meu professor primário, que Deus já tem há muito tempo), sempre com aquelas escadinhas, o fontanário e toda a estrutura em pedra que por este Minho abunda, 

















e vista daquela estreita rua (Stª Luzia) que eu todos os dias subia e descia (não fossem os carros estacionados seria a mesma de há 45 anos)




foi um pequeno prémio para quem luta por um rasgo que seja de justiça e de paz! Por todos nós, pois esta coisa de "educação pública" já todos sabem, tem muito que se lhe diga!

E, ao abrir este portátil, dou de caras com o alerta do aniversário de minha tia materna ...! Ora, indubitavelmente, hoje a minha querida Guimarães disse-me, mais uma vez, presente, como sempre! (Bendita sejas, "oh Guimarães, oh minha terra querida ...")!!! (?) Mas não só: chegado a este feudo condal-barcelense, de gente sempre boa mas muito distante ... (?), entro no café do meu quotidiano e dou de caras com mais esta "Oh pinadela" (nem de propósito. Sempre há Deus. Mas, ao que parece, até Ele que se cuide ...!!!):

"Vendilhões do Templo

Com os encargos de todas as obras públicas anunciadas, boa parte do nosso futuro está hipotecada; pelo presente já ninguém dá nada; resta o passado. Não se estranhará, pois, que o Governo prepare um novo regime para o património histórico e cultural que abre portas à venda mais ou menos indiscriminada de monumentos históricos. "O mote é alienar", denunciam, alarmadas, as associações de defesa do património.

Se a coisa, congeminada no Ministério das Finanças, for avante, depois do Forte de Peniche transformado em pousada, veremos um dia destes uma loja Ikea na Torre de Belém e um hotel de charme no Mosteiro de Alcobaça (e porque não no da Batalha?); Rui Rio poderá, finalmente, vender a Torre dos Clérigos em "time-sharing"; e António Costa, em Lisboa, fazer dos Jerónimos um centro comercial. Governados por mercadores sem memória e sem outra cultura que não a do dinheiro, faltava-nos ver a nossa própria História à venda. Em breve, nem Cristo (quanto mais nós) terá poderes para expulsar os vendilhões do Templo porque eles já terão comprado o Templo e já lhe terão dado ordem de expulsão a Ele."

Haja Deus! Sempre! Amen!



Fonte: http://jornaldeideias.blogspot.com/2008/12/ajuda-s-aquele-cantinho-do-cu-lisboeta.html

Da Declaração UDH às democracias "de estimação", professor titular ...NÃO! - 11Dez2008 11:06:00

A quanto não teremos, ainda, de resistir e de "declarar", e ... de esperar!!???

Projecto-me, em sonhos misturados com a realidade, nesta convalescença provocada pelos ditos arautos supremos da democracia "de trazer por casa", nas últimas das novelas sócio-políticas, nesta polis cada vez mais "degradante" e degradada, como já o 'profetizavam' alguns de que, também hoje, nos aponta mais este post de mestre JA Maltez, lá da terra do crocodilo do sol nascente ...!

Apenas gostaria de lembrar, ao respeitoso Prof. Mário Nogueira, que dentro da sua organização pontificam muitos desses jacobinos amantes das democracias de estimação (para lembrar a fábula do piolho, o tal "Jimmy" de unhas pintadas, o animal de estimação de uma dessas personagens, psicopata pseudo-delinquente e lunática assumida), tanto que, agora que o prezado colega (e muito bem) vem defender mais uma vez a abolição da figura do "professor titular", deveria contar QUANTOS DESSES SEUS AFILIADOS NÃO SÃO JÁ PROFESSORES TITULARES? E se o são (desde o primeiro minuto em que se deu a abertura para tal concurso), será que o vão deixar de ser (ou já deixaram?)?!!!?

Fico-me pela remissão, a tão digníssima gente, para os artºs 1º, 5º, 6º, 9º, 12º, 19º, 23º (sobretudo nº 2) e 30º, da Declaração Universal dos Direitos do Homem, ainda e em muito por cumprir!!!


Fonte: http://jornaldeideias.blogspot.com/2008/12/da-declarao-udh-s-democracias-de.html

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